Morning Call - 17/03/2026 - Petróleo Mantém-se acima dos US$ 100

166
Agenda de Indicadores:
9:15 – USA – Variação Semanal de Empregos Privados ADP
9:30 – USA – Despesas de Consumo Pessoal (PCE) do Fed de Dallas (Jan)
11:00 – USA – Vendas Pendentes de Moradias
14:00 – USA – Leilão de T-Bond de 20 anos
17:30 – USA – Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

Brasil

snapshot

Acompanhe o Pré-Market de NY: EWZ VALE PBR ITUB BBD BSBR

Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLH2026


Curva de Juros

Após um pregão marcado por forte estresse na última sexta-feira — com stop de grandes players no mercado de DI futuro — o Tesouro Nacional entrou em ação para conter a deterioração da curva de juros e restaurar a liquidez no mercado.

A autoridade cancelou os leilões de venda de títulos prefixados e indexados à inflação previstos para a semana e, em movimento pouco usual, realizou dois leilões extraordinários de recompra de papéis públicos. Pela manhã, foram recomprados R$ 12,1 bilhões de prefixados, e à tarde, o Tesouro adquiriu R$ 3,3 bilhões de NTN-Bs, somando R$ 15,4 bilhões.

A intervenção teve efeito imediato: ao retirar oferta e injetar liquidez no sistema, o Tesouro ajudou a reancorar as expectativas e reduzir a pressão sobre a curva. Como resultado, os prêmios dos contratos de DI chegaram a cair mais de 40 pontos-base nos vencimentos mais longos, mesmo em uma semana marcada pela decisão de juros do Comitê de Política Monetária.

Apesar do alívio pontual ao longo da sessão, o cenário segue desafiador. O mercado ainda projeta que o Banco Central do Brasil adotará um tom mais conservador na comunicação desta quarta-feira, refletindo as incertezas no ambiente externo.


Estados Unidos

snapshot

Os futuros dos índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — recuam nesta terça-feira, com o conflito no Oriente Médio mantendo os preços do petróleo próximos de US$ 100 por barril, o que reacende preocupações com a inflação às vésperas da reunião de política monetária do Federal Reserve, que se inicia hoje.

O movimento também reflete uma perda de fôlego após o rali da sessão anterior, quando o S&P 500 registrou sua maior alta diária em mais de um mês, impulsionado principalmente pelo setor de tecnologia. O dia foi marcado ainda pela conferência anual de desenvolvedores da Nvidia, amplamente acompanhada pelo mercado.

A Nvidia reforçou o otimismo estrutural com inteligência artificial ao projetar que a oportunidade de receita para seus chips pode atingir US$ 1 trilhão até 2027, destacando sua estratégia para liderar o mercado de sistemas de IA em tempo real. Ainda assim, após a valorização recente, as ações da companhia operam estáveis no pré-mercado, enquanto concorrentes como Advanced Micro Devices e Broadcom registram leves quedas.

No campo geopolítico, os investidores seguem atentos à escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente ao risco de interrupções no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte global de energia. O apelo do presidente Donald Trump para que aliados protejam a passagem não foi atendido, aumentando a percepção de risco sobre a oferta de petróleo.

Diante desse cenário, diversas instituições financeiras revisaram para cima suas projeções para os preços da energia, alertando para os potenciais impactos negativos sobre o crescimento global — dinâmica já refletida na decisão do Reserve Bank of Australia de elevar juros recentemente.

Para o mercado, cresce a leitura de que o Federal Reserve deverá manter as taxas de juros inalteradas pelo menos até setembro, à medida que os rendimentos dos Treasuries de curto prazo continuam subindo em resposta à pressão inflacionária vinda da energia.

Os contratos futuros do Russell 2000 USARUS, mais sensível às taxas de juros, recuam cerca de 0,5%, enquanto o índice de volatilidade VIX $ACTIVTRADES:USAVIXH2026 permanece em 23,3 pontos, indicando demanda ainda elevada por proteção.

Apesar do ambiente global adverso, as ações americanas vêm apresentando desempenho relativamente superior em relação à Europa e à Ásia, sustentadas pela percepção de que a economia dos Estados Unidos pode ser menos impactada pelo choque energético. Ainda assim, nomes como David Solomon, CEO do Goldman Sachs, alertam que os mercados ainda não precificaram totalmente os efeitos econômicos de um conflito prolongado, mantendo o cenário de risco elevado no horizonte.


Europa

snapshot

Os principais índices acionários da Europa — EURO50, GER40, GERMID50, ESP35, UK100, FRA40, ITA40 e SWI20 — operam em alta moderada nesta terça-feira, com os traders adotando uma postura mais construtiva antes de uma semana decisiva para a política monetária global.

As atenções se concentram nas decisões de juros de importantes bancos centrais, incluindo Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, Banco Nacional Suíço e Riksbank. Embora a expectativa predominante seja de manutenção das taxas no curto prazo, o mercado começa a ajustar o discurso para um cenário potencialmente mais restritivo à frente. Isso porque a persistência dos preços elevados de energia, em meio à guerra no Oriente Médio, reacendeu as preocupações inflacionárias.

No caso do Banco Central Europeu, os traders já passaram a precificar dois aumentos de 25 pontos-base ao longo do ano, uma mudança relevante em relação ao cenário anterior ao conflito, quando predominava a expectativa de cortes de juros.

Com a melhora do apetite por risco hoje, observa-se uma leve rotação setorial. O segmento de defesa, que vinha sendo favorecido pelo aumento das tensões geopolíticas, registra queda marginal, enquanto as ações de serviços públicos — frequentemente vistas como substitutas de renda fixa — avançam cerca de 0,7%.

Já o setor de energia segue como destaque positivo. Gigantes como Shell e BP registram ganhos superiores a 1%, sustentadas pelos preços do petróleo Brent, que permanecem acima de US$ 100 por barril.


Ásia/Pacífico

snapshot

As bolsas da Ásia-Pacífico encerraram a sessão desta terça-feira majoritariamente em alta, impulsionadas pelo desempenho das ações de tecnologia e do setor automotivo, após novas sinalizações positivas vindas da Nvidia sobre a demanda por chips de inteligência artificial.

Durante evento realizado na véspera, o CEO Jensen Huang afirmou que os pedidos pelos novos chips Blackwell e Vera Rubin podem alcançar US$ 1 trilhão até 2027, reforçando o otimismo em torno da cadeia global de semicondutores. Com isso, empresas diretamente ligadas à produção desses componentes reagiram positivamente. A Samsung Electronics avançou 2,8%, enquanto a TSMC subiu 1,4%. Já a SK Hynix, apesar de também fornecer à Nvidia, devolveu ganhos e fechou em leve queda de 0,4%.

O setor automotivo também esteve entre os destaques, após a Nvidia anunciar parcerias com montadoras asiáticas para o desenvolvimento de veículos autônomos. As ações de Hyundai Motor, Nissan Motor, Isuzu Motors e BYD registraram altas de até 3,1%, refletindo a crescente integração entre tecnologia e mobilidade.

Entre os principais índices, o Kospi KOSPI, da Coreia do Sul, avançou 1,6%, enquanto o TWSE 50 TW50, de Taiwan, subiu 1,5%. Em contrapartida, o Nikkei NI225, do Japão, fechou praticamente estável, com leve queda de 0,1%, pressionado por papéis de tecnologia como SoftBank, Advantest e Sony.

Na China continental e em Hong Kong, o fechamento foi misto: os índices Shenzhen 399001 e Shanghai 000001 recuaram, enquanto o China A50 XIN9 e o Hang Seng HSI registraram ganhos.

No campo geopolítico, apesar de avanços nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China em Paris, o presidente Donald Trump deve adiar em cerca de um mês seu encontro presencial com Xi Jinping, inicialmente previsto para o fim de março, em função das tensões no Oriente Médio.

Na Austrália, o índice ASX 200 XJO avançou 0,4%, sustentado pelos setores financeiro e de mineração. Já no campo monetário, o Reserve Bank of Australia elevou a taxa básica de juros para 4,1%, marcando a segunda alta no ano. No entanto, a decisão apertada — com placar de 5 votos a 4 — aumentou as incertezas sobre os próximos passos da autoridade monetária. O dólar australiano chegou a perder força após o anúncio, mas recuperou parte das perdas ao longo da sessão.

snapshot

Aviso legal

As informações e publicações não se destinam a ser, e não constituem, conselhos ou recomendações financeiras, de investimento, comerciais ou de outro tipo fornecidos ou endossados pela TradingView. Leia mais nos Termos de Uso.