Morning Call - 05/10/2026 - Ibov em GAP de 13k pontos?

127
Agenda de Indicadores:
Feriado na China e Coreia do Sul
8:25 – BRA – Boletim Focus
10:00 – BRA – PMI de Serviços S&P Global
10:45 – USA – PMI de Serviços S&P Global
11:00 – USA – PMI de Serviços ISM
11:00 – USA – Índice de Tendência de Emprego


Brasil

Acompanhe o Pré-Market de NY: EWZ VALE PBR ITUB BBD BSBR

Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLX2026


Eleições: surpresa nas urnas coloca bolsa, câmbio e juros no centro da abertura

O mercado brasileiro inicia a semana diante de uma mudança relevante no cenário eleitoral. A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula, contrariou as expectativas e reforçou as apostas em uma alternância de poder. Para os traders, a principal questão é o que esse resultado pode representar para a política fiscal a partir de 2027.

A reação inicial do EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, sinalizou uma abertura favorável aos ativos locais. A expectativa é de valorização do Ibovespa e do real, acompanhada de queda nas taxas dos contratos de juros futuros, à medida que os traders revisam posições e probabilidades para o segundo turno.

O UBS projeta uma alta de pelo menos 5% para o Ibovespa, já a Empiricus vê espaço para um avanço próximo de 10%, associado ao fortalecimento da moeda brasileira e ao recuo dos juros.

A revisão das apostas foi expressiva: a Ativa elevou de 60% para 85% sua estimativa de probabilidade de vitória de Flávio. Na noite de domingo, os contratos negociados na Polymarket indicavam uma chance próxima de 84%.


Ajuste fiscal sustenta o otimismo, mas ainda depende de propostas.

O movimento esperado nos mercados se apoia na percepção de que uma mudança de governo poderia abrir espaço para maior contenção de despesas e medidas destinadas a estabilizar a dívida pública.

A dívida chegou a quase 83% do PIB em agosto. As projeções citadas por economistas apontam para um patamar superior a 90% em 2028 e próximo de 100% nos anos seguintes, caso não haja uma mudança relevante na condução fiscal. Essa trajetória mantém o prêmio de risco elevado e dificulta uma redução duradoura dos juros.

O desafio, portanto, vai além do resultado eleitoral. Uma correção estrutural exigiria decisões politicamente difíceis, envolvendo despesas obrigatórias, regras previdenciárias e assistenciais, reforma administrativa e vinculações orçamentárias.

Até aqui, as propostas econômicas de Flávio deixaram questões importantes em aberto. A disposição inicial dos traders parece ser a de antecipar uma agenda menos expansionista, mas a sustentação dessa confiança dependerá de compromissos concretos, da composição da equipe econômica e da capacidade de negociação com o Congresso.

Solange Srour, do UBS, ressalta que uma base parlamentar mais ampla não garante prioridade para o ajuste fiscal. Depois da reação inicial às urnas, o mercado deverá cobrar sinais de execução.


Congresso mais à direita amplia força do PL

O resultado legislativo reforçou a leitura de mudança política. O PL consolidou a maior bancada nas duas Casas e ampliou sua influência sobre a agenda do próximo governo.

No Senado, o partido elegeu 19 senadores e deverá passar de 15 para 28 das 81 cadeiras. Na Câmara, conquistou ao menos 120 deputados, ante os atuais 98. A federação PT-PCdoB-PV deverá ficar com 78 cadeiras, enquanto União-PP deverá recuar de 98 para 69.

O avanço do PL veio acompanhado de uma redução do espaço da esquerda e de partidos de centro. No Senado, PT, PSB, PDT e Rede deverão somar 15 cadeiras, contra 18 no início da legislatura. O PSD deverá cair de 14 para cinco senadores.

Para o mercado, essa composição pode facilitar a formação de uma base de apoio a um eventual governo Flávio. Ainda assim, alinhamento político não significa apoio automático a medidas que reduzam benefícios ou imponham custos a grupos organizados.

A nova configuração também coloca a eleição da presidência do Senado no radar. Uma vitória de um nome apoiado pelo PL poderia alterar a condução de pautas sensíveis e ampliar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal.

Ao menos 49 integrantes da próxima legislatura defendem publicamente o impeachment de ministros do STF. O número permanece abaixo dos 54 votos exigidos para o afastamento, mas indica uma mudança relevante na correlação de forças.

Disputas estaduais fortalecem palanques para o segundo turno
O avanço da direita também apareceu nas eleições para os governos estaduais. Dos 20 governadores eleitos no primeiro turno, cinco são do PL, quatro do PSD e três de cada um dos partidos PT e Republicanos.

O PL venceu nos três estados do Sul, com Sergio Moro no Paraná, Jorginho Mello em Santa Catarina e Luciano Zucco no Rio Grande do Sul. Também conquistou Rondônia, com Marcos Rogério, e Roraima, com Arthur Henrique.

No Sudeste, a reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo e a vitória de Cleitinho Azevedo em Minas Gerais oferecem dois palanques importantes para Flávio na etapa decisiva. O PT manteve os governos da Bahia, do Ceará e do Piauí.

Minas Gerais merece atenção particular: Flávio liderou no estado, que Lula havia vencido no primeiro turno de 2022. Amazonas e Tocantins também mudaram de lado em relação àquela disputa.


Campanhas mudam de estratégia após resultado apertado

Flávio apresentou sua liderança como um sinal de demanda por mudança e afirmou que pretende formar um governo com menos ministérios. Também voltou a criticar o STF e declarou a intenção de indicar ao menos quatro ministros, caso eleito.

O número efetivo de indicações dependerá das vagas disponíveis. Além da situação da cadeira de Luís Roberto Barroso, estão previstas, até o fim de 2030, as aposentadorias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Para ampliar sua votação, Flávio deverá buscar o apoio dos candidatos derrotados de centro e direita, intensificar a campanha no Nordeste e ampliar a participação de Tarcísio de Freitas.

Lula, por sua vez, reconheceu que esperava vencer no primeiro turno e anunciou uma nova fase da campanha. O presidente sinalizou uma ofensiva contra o adversário, com referências ao caso Master e a acusações relacionadas a milícias e crime organizado.

Outra frente será a mobilização dos cerca de 28 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Com abstenção superior a 20%, esse contingente representa uma das principais oportunidades de expansão de votos para as duas campanhas.

Lula também pretende explorar propostas relacionadas à indústria, tecnologia, minerais críticos e petróleo, além da oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS.


Favoritismo não elimina risco de mudança até 25 de outubro

A liderança no primeiro turno e o desempenho da direita no Congresso favorecem Flávio, mas a diferença de dois pontos percentuais mantém a disputa aberta.

Desde a redemocratização, todos os candidatos que lideraram o primeiro turno presidencial venceram também o segundo. Esse histórico pesa nas avaliações políticas, mas não determina o desfecho da eleição atual.

Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema somaram 7,58% dos votos válidos. A expectativa é de que parte relevante desse eleitorado favoreça Flávio, embora a transferência de votos dependa dos apoios e da dinâmica da campanha.

O Barclays adverte que uma vitória de Flávio não deve ser considerada assegurada. O banco aponta a polarização, possíveis iniciativas do governo e desdobramentos do caso Master como fatores capazes de alterar o cenário até 25 de outubro.


Agenda política pode alimentar a volatilidade nesta semana

A proposta de encerramento da escala 6x1 estará no centro das discussões no Senado. Davi Alcolumbre marcou sessões para terça, quarta e quinta-feira. Já aprovada pela Câmara e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a PEC precisa de 49 votos em dois turnos no plenário.

A pauta é uma das principais bandeiras de Lula e poderá ganhar espaço na campanha. Para os investidores, o foco estará no texto final, em seus possíveis efeitos sobre custos e atividade e na capacidade do governo de reunir apoio parlamentar.

O caso Master também seguirá no radar. A Polícia Federal programou depoimentos de André Esteves nesta segunda-feira, Gabriel Galípolo na terça, Roberto Campos Neto na quarta e Ailton de Aquino na quinta. Esteves, Galípolo e Campos Neto serão ouvidos como testemunhas e não são investigados.

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de favorecimento ao banco por servidores responsáveis por sua fiscalização. Também está prevista uma reunião entre Edson Fachin e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para discutir menções a ministros do STF encontradas no celular de Daniel Vorcaro.

Reportagem publicada pela revista Piauí no domingo acrescentou pressão política ao caso ao relatar viagens e eventos em Londres custeados pelo banqueiro, com referências a autoridades dos Três Poderes. As informações devem ser acompanhadas como parte de uma investigação em andamento, sem antecipar conclusões sobre responsabilidades individuais.


Para o Trader: Pré-Abertura

Os ativos brasileiros negociados no exterior indicam uma abertura de forte reprecificação na bolsa, no câmbio e nos juros. O movimento reflete o aumento das apostas em uma mudança de governo e na possibilidade de uma política fiscal mais restritiva.

No câmbio, o futuro do real negociado em Chicago, o 6L, avança 4,5%, sinalizando pressão de baixa sobre o dólar no Brasil. Como as cotações são inversas, essa valorização corresponde matematicamente a uma queda de aproximadamente 4,3% no dólar, referência para a abertura do Mini Dólar. A intensidade do ajuste dependerá da confirmação dos fluxos no mercado doméstico.

Na renda variável, o EWZ sobe 11,5% em dólares, mas parte desse ganho vem da valorização do real. Descontado o efeito cambial, a alta implícita das ações em moeda local é de aproximadamente 6,7%:

Variação em reais* = 1,115 ÷ 1,045 − 1 = 6,7%.

*Esse cálculo oferece uma referência para a abertura do Ibovespa.

Nos juros, o mercado passou a atribuir maior probabilidade a um corte de 50 pontos-base na reunião do Copom de 4 de novembro. A chance desse movimento saltou de 2,5% para 17%, enquanto o corte de 25 pontos-base permanece como cenário predominante, com 73% de probabilidade. A mudança revela uma aposta crescente em uma redução mais intensa da Selic, ainda sem substituir o cenário de flexibilização gradual.

Para o pregão, o ponto central será a sustentação desses movimentos após o ajuste inicial. Bolsa em alta, dólar em queda e recuo dos juros futuros reforçariam a leitura de redução do prêmio de risco brasileiro. Com uma abertura potencialmente distante do fechamento anterior, o comportamento dos preços após os primeiros negócios será decisivo para avaliar a continuidade do movimento e o espaço para realizações.


Europa

snapshot

Os principais índices acionários da Europa — $ACTIVTRADES, $ACTIVTRADES, $ACTIVTRADES, $ACTIVTRADES, $ACTIVTRADES, $ACTIVTRADES, $ACTIVTRADES e $ACTIVTRADES — operam sem direção única nesta segunda-feira, em uma sessão marcada pelo aumento das preocupações fiscais na França. As ações francesas atingem o menor nível em seis meses, enquanto a forte queda da Schneider Electric amplia a pressão sobre o mercado local após a aquisição da americana PTC.

O Euro Stoxx 50 $ACTIVTRADES recua 0,4%, ainda refletindo a turbulência recente no mercado de renda fixa. Na semana passada, o índice chegou ao menor nível em dois meses, em meio à disparada dos rendimentos dos títulos globais, provocada pela combinação entre inflação persistente, maior emissão de dívida e deterioração das perspectivas fiscais.

A França concentra as atenções nesta manhã. O CAC 40 $ACTIVTRADES cai mais de 1%, enquanto o euro recua para o menor nível em 17 meses. O movimento reflete o receio de que a fragilidade das contas públicas francesas possa reacender preocupações mais amplas sobre a sustentabilidade das dívidas soberanas na zona do euro.

O orçamento francês para 2027, apresentado na semana passada, prevê cortes de gastos e uma série de medidas de austeridade para reduzir o déficit. A reação do mercado, porém, mostra que os traders ainda questionam a capacidade do governo de implementar o ajuste antes das eleições de 2027, especialmente diante da resistência política às medidas propostas.

Essa desconfiança mantém o rendimento dos títulos franceses de 10 anos próximo do maior nível desde 2008. Para Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB, a pressão observada na renda fixa já começa a atingir outras classes de ativos, enfraquecendo o euro e aumentando as preocupações sobre o impacto dos custos de financiamento nos lucros das empresas.

O cenário político também ganha importância em outras partes da região. Na Espanha, as ações avançam 0,9% depois que o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas para 29 de novembro. A decisão ocorre após um Parlamento fragmentado rejeitar importantes decretos habitacionais do governo na semana passada, em meio a uma onda de protestos.

A perspectiva de mudanças políticas em diferentes países europeus nos próximos meses adiciona uma nova camada de incerteza às contas públicas. Para Brooks, o calendário eleitoral pode tornar ainda mais difícil a implementação de medidas destinadas a reduzir os déficits fiscais na região.

Fora da França, o desempenho é mais favorável. As bolsas britânica e italiana avançam 0,4% e 0,3%, respectivamente, enquanto o mercado alemão opera próximo da estabilidade. Entre os setores, químicas e telecomunicações lideram os ganhos, com altas de aproximadamente 1% e 0,9%.

Na direção oposta, as empresas de energia recuam 0,9%, acompanhando a queda do petróleo. O aumento das exportações de petróleo do Oriente Médio e a liberação de reservas pelo G7 ampliaram a oferta disponível no mercado, compensando parcialmente os riscos de interrupções na infraestrutura do Golfo em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Apesar da turbulência financeira e política, os últimos indicadores mostram uma economia europeia ainda resiliente. A atividade empresarial da zona do euro acelerou em setembro para o ritmo mais forte em quase três anos e meio, sustentada pela demanda mesmo diante das pressões inflacionárias provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

No mercado corporativo, Schneider Electric despenca 9,1% e aparece entre as maiores quedas da sessão. Os traders avaliam o tamanho da aquisição da americana PTC e, principalmente, o prêmio pago pela companhia francesa em um momento de maior pressão sobre as avaliações das empresas de software e de incerteza sobre o crescimento do setor diante das transformações provocadas pela inteligência artificial.

Aviso legal

As informações e publicações não se destinam a ser, e não constituem, conselhos ou recomendações financeiras, de investimento, comerciais ou de outro tipo fornecidos ou endossados pela TradingView. Leia mais nos Termos de Uso.