E se a Lua for apenas uma história de fachada?

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A Intuitive Machines ainda é negociada no mercado como uma desenvolvedora de módulos de pouso lunar, mas seus números contam uma história bem diferente. O trabalho voltado à segurança nacional saltou para 30% da receita do segundo trimestre, contra 3% no mesmo período do ano anterior. A compra da Lanteris, antiga fábrica de satélites da Maxar, por US$ 800 milhões, redefiniu o porte da companhia. O faturamento quadruplicou para US$ 206 milhões, e a carteira de pedidos atingiu US$ 1,76 bilhão. Ainda assim, os papéis operam perto de US$ 10,50, bem distante da máxima de 52 semanas de US$ 46,75.

Os verdadeiros motores de expansão estão em órbita, não no solo lunar. A Intuitive Machines está fabricando 18 espaçonaves de rastreamento de mísseis para a L3Harris e fechou um contrato superior a US$ 600 milhões para três satélites comerciais. Além disso, entregou um satélite de rádio à SiriusXM. Um contrato de transmissão lunar com a NASA avaliado em até US$ 4,82 bilhões, somado à estação terrestre britânica de Goonhilly, agrega um potencial negócio de dados. Esse montante bilionário, entretanto, serve como teto e não representa faturamento já assegurado.

A Lua continua relevante, sobretudo por razões geopolíticas. Estados Unidos e China disputam a corrida rumo ao polo sul lunar, onde o gelo pode ser convertido em propelente. Os próximos pousos de ambos os países na região foram adiados para perto de 2027. O histórico da Intuitive Machines, contudo, permanece instável: seus dois primeiros módulos tombaram, o que exige que a missão IM-3 consiga pousar de maneira perfeitamente ereta.

Margens operacionais reduzidas, diluição decorrente de novas ofertas de ações e vendas contínuas por pessoas de dentro da empresa mantêm os investidores reticentes. O balanço do terceiro trimestre em 12 de novembro mostrará se a receita é capaz de acompanhar a carteira de encomendas. Resta saber se o mercado reconhecerá o valor da fabricante de satélites antes que as operações lunares se consolidem.

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