Morning Call - 16/10/2026 - Dólar e Juros em Queda

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Brasil

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Estados Unidos

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Os futuros dos principais índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — operam em alta nesta sexta-feira, sinalizando uma tentativa de recuperação após uma semana de forte volatilidade em Wall Street. O movimento ocorre apesar das preocupações persistentes com o financiamento dos investimentos em inteligência artificial e com a possibilidade de novos aumentos dos juros pelo Federal Reserve.

A recente correção das ações de tecnologia expôs uma mudança no comportamento dos traders, que passaram a questionar não apenas as expectativas de crescimento do setor de inteligência artificial, mas também a sustentabilidade financeira dos investimentos bilionários necessários para expandir sua infraestrutura.

O aumento dos custos de financiamento e o avanço da concorrência chinesa no mercado de semicondutores intensificaram as vendas de ações de empresas ligadas à IA. A pressão foi particularmente forte sobre operadoras de data centers com elevado endividamento, como a CoreWeave, que esteve no centro da onda de vendas registrada na quinta-feira.

A preocupação agora se estende ao mercado de crédito. Com a perspectiva de juros elevados por mais tempo, cresce o receio de que algumas companhias enfrentem dificuldades para financiar sua expansão sem comprometer as margens de lucro ou ampliar excessivamente o endividamento.

Para Amelie Derambure, gestora sênior de portfólio multiativos da Amundi, a principal dúvida continua sendo a capacidade das empresas de transformar os investimentos em inteligência artificial em receitas e lucros sustentáveis. Segundo a estrategista, ainda existem incertezas relevantes sobre a monetização dos serviços e a preservação das margens de rentabilidade.

Apesar desses riscos, Derambure mantém uma exposição acima da média às ações americanas, sustentada pela expectativa de que a temporada de balanços apresente resultados suficientemente robustos para limitar uma correção mais profunda em Wall Street.

A pressão sobre as empresas de tecnologia ganhou intensidade após os indicadores de inflação divulgados nesta semana reacenderem as expectativas de aperto monetário nos Estados Unidos.

Na quarta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) mostrou uma aceleração da inflação em setembro. No dia seguinte, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou a maior alta mensal em quatro anos e meio, reforçando os sinais de que as pressões inflacionárias estão se espalhando para além dos produtos energéticos.

A combinação dos dois relatórios aumentou as preocupações com a possibilidade de que o Federal Reserve precise manter uma política monetária restritiva por mais tempo. Ao mesmo tempo, a busca por ativos de proteção favoreceu a compra de títulos do Tesouro americano, provocando uma queda dos rendimentos após as fortes altas das semanas anteriores.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, adotou um discurso otimista em relação à resistência da economia americana durante sua participação em um evento do Fundo Monetário Internacional, mas evitou oferecer indicações sobre o momento ou a necessidade de novos aumentos das taxas de juros.

A ausência de novidades sobre a política monetária preservou as expectativas predominantes de manutenção dos juros na reunião de outubro.

Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders continuam considerando a estabilidade das taxas como o cenário mais provável para este mês. Para dezembro, entretanto, os contratos indicam 91% de probabilidade de um novo aumento dos juros, evidenciando a expectativa de que o Fed ainda não tenha encerrado seu ciclo de aperto monetário.

Para Nikos Tzabouras, analista independente de mercados financeiros, a postura cautelosa de Warsh não alterou significativamente as expectativas de mercado, mas a ausência de sinalizações mais restritivas poderá favorecer uma recuperação do ouro no curto prazo.

O metal precioso também permanece no radar dos traders diante da combinação entre inflação persistente, incertezas econômicas e oscilações nos rendimentos dos Treasuries.
Embora seja tradicionalmente utilizado como instrumento de proteção contra a inflação e riscos financeiros, o ouro enfrenta um obstáculo importante quando os juros sobem, já que não oferece rendimento periódico aos seus detentores.

Nesse contexto, a trajetória dos títulos americanos e do dólar será determinante para o desempenho do metal nos próximos meses.

Analistas do ANZ avaliam que uma queda sustentada dos rendimentos e da moeda americana poderá abrir espaço para que o ouro retome sua trajetória de valorização e supere US$ 5.000 por onça em 2027.

Assim, Wall Street encerra a semana diante de duas forças opostas: de um lado, a expectativa de balanços corporativos robustos e a recuperação dos ativos de risco; de outro, a inflação persistente e as dúvidas sobre o financiamento da expansão da inteligência artificial.

Para os traders, o comportamento dos rendimentos dos Treasuries continuará sendo um dos principais indicadores a acompanhar. Uma nova alta dos juros de longo prazo poderá intensificar a pressão sobre empresas de tecnologia e companhias altamente endividadas, enquanto a estabilização do mercado de títulos poderá favorecer a recuperação das bolsas e do ouro.


Europa

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Os principais índices acionários da Europa — EURO50, GER40, GERMID50, ESP35, UK100, FRA40, ITA40 e SWI20 — operam em alta nesta sexta-feira e caminham para registrar o melhor desempenho semanal desde o final de junho. A recuperação é sustentada por resultados corporativos acima das expectativas e pela estabilização das ações de tecnologia, após uma semana marcada por fortes oscilações nos mercados globais.

O Euro Stoxx 50 EURO50 avança 0,7%, alcançando o maior nível em mais de três semanas, enquanto os principais índices regionais acompanham o movimento positivo.

A melhora do sentimento ocorre após uma sequência de vendas nas empresas ligadas à inteligência artificial, provocada por preocupações com o avanço da concorrência chinesa e os custos crescentes de financiamento dos investimentos em data centers e semicondutores. A estabilização do setor, combinada à divulgação de balanços robustos, ajuda a recuperar o apetite por risco.

Para Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, uma temporada de resultados corporativos acima das expectativas poderá sustentar a recuperação das bolsas e favorecer um retorno aos níveis mais elevados observados recentemente.

As projeções indicam que os lucros das empresas integrantes do STOXX 600 cresceram 20,7% no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Embora ligeiramente abaixo da estimativa de 21% divulgada na semana anterior, o número continua apontando para uma expansão expressiva dos resultados corporativos.

A próxima semana trará novos testes para essa perspectiva, com a divulgação dos balanços de empresas como SAP, ABB e Barclays.

Entre os destaques desta sexta-feira, a Aixtron avança 5% após superar as expectativas de entrada de pedidos no terceiro trimestre e confirmar suas projeções para o ano. O resultado contribui para a recuperação do setor de tecnologia, que sobe aproximadamente 1%, tentando reverter as perdas acentuadas da sessão anterior.

As ações da Nordex apresentam um desempenho ainda mais expressivo, com valorização de 12,7%, depois que a fabricante de turbinas eólicas divulgou lucro operacional acima das estimativas e elevou sua previsão de margem para o ano completo.

Em contrapartida, a Schneider Electric recua 1,3%, revertendo os ganhos registrados anteriormente, apesar de ter elevado pela segunda vez suas metas de receita e lucro operacional para 2026. A reação evidencia que, após a forte valorização das empresas associadas à infraestrutura de inteligência artificial, resultados positivos nem sempre são suficientes para sustentar novas altas.

No setor de consumo, a Nestlé sobe 1% após o JPMorgan elevar sua recomendação para as ações da companhia suíça para acima da média do mercado. O movimento contribui para o avanço de 0,6% do setor de alimentos e bebidas, que caminha para encerrar a semana com o melhor desempenho entre os segmentos do STOXX 600.

Já o setor de saúde recua 0,6%, em um movimento de realização de lucros após acumular valorização superior a 4,6% nas duas sessões anteriores.

Apesar da recuperação das bolsas, o cenário macroeconômico continua impondo desafios. A leitura final do Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (IHPC) da zona do euro confirmou uma inflação de 3,8% em setembro, na comparação anual, em linha com as expectativas, mas significativamente acima da meta de 2% do Banco Central Europeu.

A persistência das pressões inflacionárias, intensificadas pela alta dos preços da energia, levou o BCE a elevar os juros em um total de 50 pontos-base ao longo de 2026, levando a taxa de referência a 2,50%.

Mesmo com o aperto monetário já realizado, os traders continuam precificando um novo aumento de 25 pontos-base na reunião de dezembro, diante da necessidade de conter a inflação e evitar que o encarecimento da energia se espalhe para outros componentes da economia.

O contraste entre resultados corporativos robustos e condições financeiras mais restritivas permanece como um dos principais fatores para as bolsas europeias. Por enquanto, a força dos balanços e a recuperação das ações de tecnologia sustentam o movimento positivo, mas a continuidade da valorização dependerá da capacidade das empresas de preservar suas margens diante dos juros elevados.

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