Agenda de Indicadores:
9:00 – BRA – IPCA-15
10:45 – USA – PMIs da S&P Global (Outubro) (Prévias)
11:00 – USA – Uni. Michigan: Expectativa de Inflação de 1 e 5 anos
11:00 – USA – Uni. Michigan: Confiança do Consumidor
12:30 – USA – PIB Agora do Fed de Atlanta
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Estados Unidos

Os futuros dos principais índices de Nova York apresentam desempenho misto nesta sexta-feira, em meio a uma tentativa de estabilização das ações de tecnologia após a forte liquidação da sessão anterior. O Nasdaq 100
USATEC opera ligeiramente em alta, depois de recuar 2,6% na quinta-feira, enquanto o S&P 500
USA500, o Dow Jones
USAIND e o Russell 2000
USARUS registram pequenas perdas, após demonstrarem maior resistência no pregão anterior.
A pressão vendedora sobre as empresas de inteligência artificial perdeu intensidade, mas as preocupações com o financiamento dos investimentos bilionários em infraestrutura computacional continuam dominando o sentimento de Wall Street. O movimento de aversão ao risco provocou uma forte migração de recursos das ações para os títulos do Tesouro americano, desencadeando a maior queda diária dos rendimentos dos Treasuries em mais de três anos.
A recuperação parcial do setor de tecnologia ocorre após uma sessão particularmente negativa para os fabricantes de semicondutores. O índice Philadelphia Semiconductor, que reúne algumas das principais empresas beneficiadas pela expansão da inteligência artificial, despencou quase 7% na quinta-feira.
Entre as maiores perdas, a Meta recuou aproximadamente 8%, enquanto a CoreWeave caiu 10%, atingindo seu menor valor desde maio de 2025. A pressão sobre a CoreWeave foi intensificada pelo aumento do custo de proteção contra o risco de inadimplência de sua dívida, reforçando as preocupações com a capacidade das empresas de infraestrutura de IA de financiar sua expansão em um ambiente de juros elevados.
A correção demonstra uma mudança importante na avaliação do setor. Após um longo período de valorização sustentado pelas expectativas de crescimento da inteligência artificial, os traders passaram a exigir evidências mais concretas de rentabilidade, geração de caixa e sustentabilidade financeira.
A preocupação não está necessariamente relacionada à demanda por inteligência artificial, que continua elevada, mas ao volume de capital necessário para construir data centers, adquirir semicondutores e ampliar a capacidade computacional. Com isso, empresas mais dependentes de endividamento tornam-se particularmente vulneráveis às oscilações dos custos de financiamento e às mudanças nas expectativas de retorno dos investimentos.
Enquanto as ações de tecnologia encontram algum alívio, o mercado de energia continua pressionado pela escalada das tensões no Oriente Médio. O petróleo Brent alcança US$ 110 por barril, renovando as máximas dos últimos cinco meses, após novos ataques dos houthis contra instalações na Arábia Saudita ampliarem os temores de interrupções no abastecimento.
O movimento também reflete informações de que Estados Unidos e Israel teriam elaborado planos para novos ataques ao Irã após as eleições legislativas de meio de mandato americanas. A possibilidade de uma nova escalada militar mantém elevados os prêmios de risco geopolítico incorporados às cotações, especialmente diante da importância do Oriente Médio para a produção e o transporte internacional de petróleo.
Na Europa, a situação energética também se deteriora. Os preços do gás natural avançam mais 4% nesta sexta-feira, acumulando valorização próxima de 30% apenas em outubro. O encarecimento simultâneo do petróleo e do gás aumenta as preocupações com uma nova onda de pressões inflacionárias, especialmente nas economias europeias, mais dependentes das importações de energia.
Além dos efeitos sobre os preços ao consumidor, a alta dos combustíveis representa um risco para a atividade industrial, os custos logísticos e as margens das empresas.
Para Kit Juckes, chefe global de estratégia cambial do Société Générale, o mercado atravessa um período de nervosismo, marcado pela valorização persistente do petróleo e pela correção das empresas de tecnologia após ganhos expressivos. O estrategista também chama atenção para o comportamento relativamente contido do dólar, que não apresenta uma valorização proporcional à intensidade dos riscos observados nos mercados globais.
A busca por proteção provocou uma mudança expressiva no mercado de renda fixa americano. Na quinta-feira, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos registraram sua maior valorização diária desde março de 2023, impulsionados pela migração de recursos para ativos considerados mais seguros. Como consequência, os rendimentos dos Treasuries recuaram fortemente, com a taxa de dez anos voltando a ser negociada abaixo de 5%.

O movimento é particularmente relevante porque ocorre apesar da continuidade da valorização do petróleo, que normalmente elevaria as expectativas de inflação e poderia pressionar os rendimentos dos títulos. A divergência sugere que, neste momento, os traders estão atribuindo maior importância aos riscos de desaceleração econômica e de instabilidade financeira associados à correção das empresas de inteligência artificial.
Em outras palavras, o temor de que uma deterioração das condições financeiras afete o crescimento econômico está se sobrepondo, temporariamente, às preocupações inflacionárias.
Essa mudança de percepção também começa a aparecer nas expectativas para a política monetária dos principais bancos centrais. Ao longo desta semana, o mercado retirou de suas projeções quase 25 pontos-base de aumentos adicionais dos juros americanos previstos para o próximo ano, refletindo a crescente preocupação com os efeitos de uma política monetária restritiva sobre o financiamento das empresas e a atividade econômica.
Para a reunião de dezembro, a probabilidade implícita de uma nova elevação dos juros pelo Fed recuou para 85%, deixando de representar um cenário praticamente integralmente incorporado aos preços.
A reprecificação também ocorre na Europa. Segundo Jim Reid, do Deutsche Bank, a probabilidade de um aumento dos juros pelo Banco Central Europeu em dezembro caiu para 69%, ante aproximadamente 90% no início da semana.
O ajuste demonstra que os traders passaram a considerar com maior intensidade os riscos de crescimento, mesmo diante da persistência das pressões inflacionárias provocadas pelo encarecimento da energia. A combinação cria um cenário particularmente desafiador para os bancos centrais: o petróleo mais caro aumenta os riscos para a inflação, enquanto a instabilidade dos mercados financeiros pode comprometer o crescimento econômico.
Nas bolsas asiáticas, a sessão foi marcada por maior estabilidade, após a forte volatilidade registrada nos mercados globais nos últimos dias. Na Europa, os índices acionários continuam pressionados, mas a intensidade das perdas diminuiu. O mercado de títulos soberanos também apresenta sinais de alívio, depois que o diferencial de rendimento entre os papéis franceses e alemães atingiu níveis associados a períodos anteriores de crise na zona do euro.
A redução das pressões sobre a dívida francesa oferece algum suporte ao sentimento regional, embora a instabilidade política e as preocupações fiscais continuem representando fontes importantes de risco.
O ambiente global permanece, portanto, marcado por forças contraditórias: a queda dos rendimentos dos títulos favorece as avaliações das empresas de crescimento, mas o avanço do petróleo, a deterioração das condições de financiamento e as dúvidas sobre a rentabilidade da inteligência artificial limitam a recuperação das bolsas.
Para os traders, a tentativa de estabilização do Nasdaq nesta sexta-feira não elimina os riscos que provocaram a forte liquidação da sessão anterior. A capacidade de recuperação das empresas de semicondutores, o comportamento do Treasury de dez anos abaixo de 5% e a trajetória do Brent próximo de US$ 110 serão fundamentais para determinar a direção dos próximos pregões.
A principal questão é identificar se a queda dos rendimentos americanos representa uma melhora nas condições financeiras ou um sinal de deterioração das expectativas de crescimento econômico. Essa distinção será decisiva para avaliar se a recuperação das ações de tecnologia poderá ganhar consistência ou se Wall Street continuará vulnerável a novas ondas de aversão ao risco.
9:00 – BRA – IPCA-15
10:45 – USA – PMIs da S&P Global (Outubro) (Prévias)
11:00 – USA – Uni. Michigan: Expectativa de Inflação de 1 e 5 anos
11:00 – USA – Uni. Michigan: Confiança do Consumidor
12:30 – USA – PIB Agora do Fed de Atlanta
Brasil
Acompanhe o Pré-Market de NY:
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Estados Unidos
Os futuros dos principais índices de Nova York apresentam desempenho misto nesta sexta-feira, em meio a uma tentativa de estabilização das ações de tecnologia após a forte liquidação da sessão anterior. O Nasdaq 100
A pressão vendedora sobre as empresas de inteligência artificial perdeu intensidade, mas as preocupações com o financiamento dos investimentos bilionários em infraestrutura computacional continuam dominando o sentimento de Wall Street. O movimento de aversão ao risco provocou uma forte migração de recursos das ações para os títulos do Tesouro americano, desencadeando a maior queda diária dos rendimentos dos Treasuries em mais de três anos.
A recuperação parcial do setor de tecnologia ocorre após uma sessão particularmente negativa para os fabricantes de semicondutores. O índice Philadelphia Semiconductor, que reúne algumas das principais empresas beneficiadas pela expansão da inteligência artificial, despencou quase 7% na quinta-feira.
Entre as maiores perdas, a Meta recuou aproximadamente 8%, enquanto a CoreWeave caiu 10%, atingindo seu menor valor desde maio de 2025. A pressão sobre a CoreWeave foi intensificada pelo aumento do custo de proteção contra o risco de inadimplência de sua dívida, reforçando as preocupações com a capacidade das empresas de infraestrutura de IA de financiar sua expansão em um ambiente de juros elevados.
A correção demonstra uma mudança importante na avaliação do setor. Após um longo período de valorização sustentado pelas expectativas de crescimento da inteligência artificial, os traders passaram a exigir evidências mais concretas de rentabilidade, geração de caixa e sustentabilidade financeira.
A preocupação não está necessariamente relacionada à demanda por inteligência artificial, que continua elevada, mas ao volume de capital necessário para construir data centers, adquirir semicondutores e ampliar a capacidade computacional. Com isso, empresas mais dependentes de endividamento tornam-se particularmente vulneráveis às oscilações dos custos de financiamento e às mudanças nas expectativas de retorno dos investimentos.
Enquanto as ações de tecnologia encontram algum alívio, o mercado de energia continua pressionado pela escalada das tensões no Oriente Médio. O petróleo Brent alcança US$ 110 por barril, renovando as máximas dos últimos cinco meses, após novos ataques dos houthis contra instalações na Arábia Saudita ampliarem os temores de interrupções no abastecimento.
O movimento também reflete informações de que Estados Unidos e Israel teriam elaborado planos para novos ataques ao Irã após as eleições legislativas de meio de mandato americanas. A possibilidade de uma nova escalada militar mantém elevados os prêmios de risco geopolítico incorporados às cotações, especialmente diante da importância do Oriente Médio para a produção e o transporte internacional de petróleo.
Na Europa, a situação energética também se deteriora. Os preços do gás natural avançam mais 4% nesta sexta-feira, acumulando valorização próxima de 30% apenas em outubro. O encarecimento simultâneo do petróleo e do gás aumenta as preocupações com uma nova onda de pressões inflacionárias, especialmente nas economias europeias, mais dependentes das importações de energia.
Além dos efeitos sobre os preços ao consumidor, a alta dos combustíveis representa um risco para a atividade industrial, os custos logísticos e as margens das empresas.
Para Kit Juckes, chefe global de estratégia cambial do Société Générale, o mercado atravessa um período de nervosismo, marcado pela valorização persistente do petróleo e pela correção das empresas de tecnologia após ganhos expressivos. O estrategista também chama atenção para o comportamento relativamente contido do dólar, que não apresenta uma valorização proporcional à intensidade dos riscos observados nos mercados globais.
A busca por proteção provocou uma mudança expressiva no mercado de renda fixa americano. Na quinta-feira, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos registraram sua maior valorização diária desde março de 2023, impulsionados pela migração de recursos para ativos considerados mais seguros. Como consequência, os rendimentos dos Treasuries recuaram fortemente, com a taxa de dez anos voltando a ser negociada abaixo de 5%.
O movimento é particularmente relevante porque ocorre apesar da continuidade da valorização do petróleo, que normalmente elevaria as expectativas de inflação e poderia pressionar os rendimentos dos títulos. A divergência sugere que, neste momento, os traders estão atribuindo maior importância aos riscos de desaceleração econômica e de instabilidade financeira associados à correção das empresas de inteligência artificial.
Em outras palavras, o temor de que uma deterioração das condições financeiras afete o crescimento econômico está se sobrepondo, temporariamente, às preocupações inflacionárias.
Essa mudança de percepção também começa a aparecer nas expectativas para a política monetária dos principais bancos centrais. Ao longo desta semana, o mercado retirou de suas projeções quase 25 pontos-base de aumentos adicionais dos juros americanos previstos para o próximo ano, refletindo a crescente preocupação com os efeitos de uma política monetária restritiva sobre o financiamento das empresas e a atividade econômica.
Para a reunião de dezembro, a probabilidade implícita de uma nova elevação dos juros pelo Fed recuou para 85%, deixando de representar um cenário praticamente integralmente incorporado aos preços.
A reprecificação também ocorre na Europa. Segundo Jim Reid, do Deutsche Bank, a probabilidade de um aumento dos juros pelo Banco Central Europeu em dezembro caiu para 69%, ante aproximadamente 90% no início da semana.
O ajuste demonstra que os traders passaram a considerar com maior intensidade os riscos de crescimento, mesmo diante da persistência das pressões inflacionárias provocadas pelo encarecimento da energia. A combinação cria um cenário particularmente desafiador para os bancos centrais: o petróleo mais caro aumenta os riscos para a inflação, enquanto a instabilidade dos mercados financeiros pode comprometer o crescimento econômico.
Nas bolsas asiáticas, a sessão foi marcada por maior estabilidade, após a forte volatilidade registrada nos mercados globais nos últimos dias. Na Europa, os índices acionários continuam pressionados, mas a intensidade das perdas diminuiu. O mercado de títulos soberanos também apresenta sinais de alívio, depois que o diferencial de rendimento entre os papéis franceses e alemães atingiu níveis associados a períodos anteriores de crise na zona do euro.
A redução das pressões sobre a dívida francesa oferece algum suporte ao sentimento regional, embora a instabilidade política e as preocupações fiscais continuem representando fontes importantes de risco.
O ambiente global permanece, portanto, marcado por forças contraditórias: a queda dos rendimentos dos títulos favorece as avaliações das empresas de crescimento, mas o avanço do petróleo, a deterioração das condições de financiamento e as dúvidas sobre a rentabilidade da inteligência artificial limitam a recuperação das bolsas.
Para os traders, a tentativa de estabilização do Nasdaq nesta sexta-feira não elimina os riscos que provocaram a forte liquidação da sessão anterior. A capacidade de recuperação das empresas de semicondutores, o comportamento do Treasury de dez anos abaixo de 5% e a trajetória do Brent próximo de US$ 110 serão fundamentais para determinar a direção dos próximos pregões.
A principal questão é identificar se a queda dos rendimentos americanos representa uma melhora nas condições financeiras ou um sinal de deterioração das expectativas de crescimento econômico. Essa distinção será decisiva para avaliar se a recuperação das ações de tecnologia poderá ganhar consistência ou se Wall Street continuará vulnerável a novas ondas de aversão ao risco.
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