Morning Call - 26/10/2026 - Ibovespa -39k pontos?

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Brasil

Acompanhe o Pré-Market de NY: EWZ VALE PBR ITUB BBD BSBR

Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLX2026


Eleições presidenciais: mercado brasileiro se prepara para abertura de extrema volatilidade

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais surpreendeu parte significativa dos traders e deverá provocar uma forte reprecificação dos ativos brasileiros nesta segunda-feira. Após meses de valorização das ações, sustentada pela expectativa de alternância política e melhora das perspectivas fiscais, o mercado inicia a semana diante de um cenário de elevada incerteza, com possibilidade de quedas expressivas no Ibovespa, disparada do dólar e forte abertura das taxas de juros futuros.

Desde meados de agosto, o Ibovespa acumulou valorização superior a 23%, renovando suas máximas históricas, em um movimento associado à expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de uma eventual mudança na condução da política econômica. Com a confirmação da reeleição de Lula, parte desse otimismo poderá ser rapidamente revertida.

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Os primeiros sinais dessa reprecificação apareceram nos mercados internacionais. Em Nova York, o ETF brasileiro EWZ registra queda próxima de 27%, enquanto os contratos futuros do real negociados em Chicago, identificados pelo código 6L, indicam uma desvalorização da moeda brasileira superior a 10% frente ao dólar.

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A experiência de 2022 demonstra que a reação inicial pode ser muito diferente do fechamento.

Na primeira sessão após a eleição presidencial de 2022, o Ibovespa chegou a recuar 2,12%, pressionado principalmente pelas ações das empresas estatais. O dólar também abriu em forte valorização, alcançando R$ 5,409 durante o pregão.

Entretanto, o movimento foi revertido ao longo do dia, à medida que os traders passaram a considerar a possibilidade de uma transição de governo sem grandes rupturas e a formação de uma equipe econômica mais moderada.

O Ibovespa encerrou aquela sessão com alta de 1,31%, aos 116.037,08 pontos, enquanto o dólar caiu 2,54%, para R$ 5,165.

A recuperação do índice, contudo, não foi acompanhada pelas principais estatais. As ações preferenciais da Petrobras, PETR4, despencaram 8,47%, enquanto o Banco do Brasil, BBAS3, recuou 4,64%, refletindo preocupações com possíveis mudanças na administração e nas estratégias das companhias.


Ibovespa poderá enfrentar acionamento do circuit breaker

Considerando a desvalorização de aproximadamente 27% do EWZ em Nova York e descontando o efeito cambial de uma depreciação próxima de 10% do real, a queda teórica do mercado acionário brasileiro seria de aproximadamente 18,9%.

Fechamento Anterior: 208.100
Queda Projetada: 39.300
Abertura Estimada: 168.800

*Trata-se de uma aproximação, não de uma previsão exata.

Caso uma queda dessa magnitude seja reproduzida na B3, os mecanismos de interrupção das negociações (Circuit Breaker) poderão ser acionados:

1º Estágio: Se o Ibovespa cair 10% em relação ao fechamento do dia anterior, as negociações são paralisadas por 30 minutos.
2º Estágio: Após a reabertura, se a queda atingir 15%, as negociações são suspensas por 1 hora.
3º Estágio: Após a nova reabertura, se a queda chegar a 20%, a B3 pode determinar a suspensão das negociações por um tempo determinado pela própria bolsa (este estágio nunca foi acionado na história da B3).

Portanto, uma abertura teórica próxima de 168.800 pontos ultrapassaria os níveis de referência dos dois primeiros estágios. Isso não significa que o índice necessariamente alcançará essa cotação, uma vez que as interrupções podem alterar a dinâmica de preços e permitir a reorganização das ordens.


Mini Dólar poderá atingir o limite de alta

No mercado cambial, os contratos futuros do real negociados em Chicago sugerem uma pressão de desvalorização da moeda brasileira superior a 10%, movimento que, em termos direcionais, aponta para uma forte valorização do dólar no Brasil.

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Entretanto, a negociação dos contratos futuros na B3 está sujeita a limites de oscilação.

Considerando o fechamento anterior do Mini Dólar em 4.972 pontos, uma valorização de 6% levaria a cotação para aproximadamente 5.270 pontos, correspondente ao limite de alta considerado neste cenário.

Caso a B3 amplie a banda para 9%, o contrato poderia alcançar aproximadamente 5.419 pontos.

A possibilidade de ampliação dos limites merece atenção. Durante o episódio conhecido como Joesley Day, em maio de 2017, a bolsa adotou medidas extraordinárias diante da forte desorganização dos mercados.

É importante destacar que o limite de oscilação não representa necessariamente o ponto de equilíbrio entre compradores e vendedores. Caso a demanda por dólares continue elevada, poderão ocorrer dificuldades de execução e concentração de ordens próximas aos limites permitidos.


Juros futuros: risco de abertura nos limites de alta

A curva de juros também deverá sofrer forte pressão, refletindo a reavaliação das perspectivas fiscais, inflacionárias e monetárias.

Os contratos futuros de DI poderão apresentar abertura próxima dos limites superiores de oscilação, especialmente nos vencimentos intermediários e longos, mais sensíveis às expectativas sobre a trajetória da dívida pública e a credibilidade fiscal.

Considerando os ajustes anteriores e os limites de alta informados para cada vencimento, as projeções são:

DIF28 — Janeiro de 2028: taxa de ajuste anterior de 12,860%, com limite de alta de 124 pontos-base. A taxa poderia alcançar 14,100%, equivalente a uma elevação relativa de 9,64%.
DIF29 — Janeiro de 2029: taxa anterior de 12,642%, com limite de alta de 125 pontos-base. A projeção alcança 13,892%, representando uma valorização relativa da taxa de 9,89%.
DIF30 — Janeiro de 2030: taxa anterior de 12,645%, com limite de alta de 127 pontos-base. O rendimento projetado seria de 13,915%, equivalente a uma elevação relativa de 10,04%.
DIF31 — Janeiro de 2031: taxa anterior de 12,642%, com limite de alta de 128 pontos-base. A taxa poderia atingir 13,922%, representando uma variação relativa de 10,13%.

Esses valores representam cenários de limite, e não necessariamente as taxas de equilíbrio que serão observadas ao longo do pregão.

Uma abertura dessa magnitude sinalizaria uma elevação expressiva do prêmio de risco exigido pelos traders para financiar o governo brasileiro, com possíveis impactos sobre o crédito, o câmbio e as avaliações das empresas listadas na bolsa.


Política fiscal será decisiva para a reação dos mercados

A condução da política fiscal deverá ocupar o centro das atenções após a confirmação do resultado eleitoral.

A equipe de Lula prepara uma proposta de emenda à Constituição destinada a permitir que o novo governo busque o centro da meta fiscal e realize bloqueios adicionais de recursos orçamentários, caso sejam necessários para melhorar a trajetória da dívida pública.

A iniciativa poderá representar uma tentativa inicial de recuperar a confiança dos mercados, especialmente diante das preocupações com o aumento dos gastos públicos e a deterioração fiscal observados durante o terceiro mandato.

Entretanto, o encaminhamento formal da proposta dependerá da decisão do presidente e da definição dos nomes responsáveis pela condução da política econômica, principalmente nos ministérios da Fazenda, Planejamento e Casa Civil.

A composição da equipe econômica será determinante para avaliar se o novo governo pretende priorizar a consolidação fiscal ou ampliar os estímulos à atividade por meio do gasto público.

No mercado de juros, também cresce a preocupação com uma eventual desancoragem das expectativas de inflação, que poderia obrigar o Banco Central a interromper o ciclo de redução da Selic.

Esse risco se torna particularmente relevante em um ambiente de forte desvalorização cambial, uma vez que a alta do dólar pode pressionar os preços de produtos importados, combustíveis e insumos industriais.


Petrobras: reajuste dos combustíveis entra no radar

Além das incertezas políticas e fiscais, a Petrobras deverá concentrar as atenções dos traders nesta segunda-feira.

O conselho de administração da estatal tem reunião prevista para avaliar a política de preços dos combustíveis, em um momento de forte valorização do petróleo internacional.

Até agora, o governo federal tem recorrido a mecanismos de subvenção para limitar o repasse dos aumentos externos ao mercado doméstico. Entretanto, com o petróleo próximo de US$ 120 por barril, cresce a percepção de que novos reajustes poderão se tornar inevitáveis.

Segundo informações do Broadcast, a companhia avalia a possibilidade de um aumento moderado nos preços do diesel e da gasolina.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reconheceu em entrevista ao jornal O Globo que as condições de mercado mudaram drasticamente nas últimas semanas, levando a empresa a reavaliar sua estratégia diante da elevada volatilidade internacional.

O Goldman Sachs alerta para o risco de um reajuste de até 50% no diesel, considerando a diferença entre os preços domésticos e internacionais.

Segundo o banco, mesmo após os efeitos das subvenções, o combustível apresenta uma defasagem de aproximadamente 21% em relação às cotações externas. O reajuste poderia ser ainda maior caso a Petrobras buscasse compensar integralmente o período em que os preços permaneceram abaixo da paridade internacional.

A questão representa um desafio adicional para o governo reeleito. Um reajuste expressivo poderia ampliar as pressões inflacionárias e prejudicar a atividade econômica, enquanto a manutenção prolongada dos preços abaixo das referências internacionais poderia afetar a rentabilidade da Petrobras e aumentar as preocupações dos acionistas.

A abertura desta segunda-feira poderá ser uma das mais voláteis dos últimos anos no mercado brasileiro. A magnitude dos movimentos internacionais sugere forte pressão sobre o Ibovespa, o Mini Dólar e os juros futuros, mas a experiência de 2022 demonstra que o comportamento inicial não determina necessariamente o resultado do pregão.

Para os traders, a prioridade deverá ser acompanhar a formação dos preços, a liquidez disponível e os eventuais acionamentos dos mecanismos de controle de volatilidade da B3.
Mais do que a reação imediata ao resultado eleitoral, será fundamental observar as primeiras sinalizações do governo sobre responsabilidade fiscal, composição da equipe econômica, política monetária e administração das empresas estatais.

A capacidade de oferecer previsibilidade nessas áreas poderá determinar se a forte correção inicial será acompanhada por uma estabilização dos ativos ou se dará início a um período mais prolongado de reprecificação do risco brasileiro.


Estados Unidos

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Os futuros dos principais índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — operam em alta nesta segunda-feira, beneficiados pelo recuo dos preços do petróleo e pela melhora do sentimento nos mercados internacionais. A recuperação ocorre após duas semanas consecutivas de perdas do S&P 500, enquanto os traders se preparam para uma agenda decisiva, marcada pela reunião do Federal Reserve e pelos balanços de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Os futuros do Dow Jones avançam 0,49%, enquanto os contratos do S&P 500 sobem 0,30% e os do Nasdaq 100 apresentam valorização de 0,25%. O movimento é acompanhado pela recuperação das ações de grandes empresas de tecnologia, com destaque para a Tesla, que registra alta de 2,1% no pré-mercado.

O principal fator de alívio vem do mercado de energia. Os preços do petróleo recuam após alcançarem, na semana passada, os maiores níveis em quase seis meses, refletindo uma possível redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

No domingo, mediadores do Catar viajaram a Teerã em uma iniciativa diplomática coordenada com os Estados Unidos, buscando reduzir o risco de uma nova escalada militar na região. A movimentação alimenta expectativas de distensão após semanas de ataques e ameaças que elevaram significativamente os preços do petróleo e os custos de transporte e seguro.

A queda da commodity contribui para aliviar parte das preocupações inflacionárias, especialmente em um momento no qual os traders aguardam a próxima decisão de política monetária do Federal Reserve.

A reunião desta semana será particularmente importante para avaliar como o banco central americano pretende equilibrar os riscos de inflação persistente, impulsionada pelos custos de energia, com os sinais de deterioração das condições financeiras e as preocupações sobre o crescimento econômico.

Nas últimas semanas, a valorização do petróleo e a alta dos rendimentos dos Treasuries pressionaram as bolsas americanas, sobretudo as empresas de tecnologia, cujas avaliações são mais sensíveis às mudanças nas taxas de juros.

Entretanto, o foco dos mercados não estará restrito ao Fed. Aproximadamente um terço das empresas que compõem o S&P 500 divulgará seus resultados trimestrais nesta semana, incluindo Alphabet, Microsoft e Amazon, três das principais companhias envolvidas na expansão da infraestrutura global de inteligência artificial.

Os balanços serão acompanhados com atenção especial após a reação negativa do mercado aos resultados das grandes empresas de tecnologia na semana passada.

A Meta, apesar de apresentar receitas superiores às expectativas, decepcionou os traders ao elevar novamente sua previsão de investimentos em inteligência artificial e anunciar a emissão de uma nova classe de ações para apoiar sua estratégia de financiamento.

A Tesla também enfrentou pressão vendedora após divulgar seus números, reforçando a percepção de que resultados corporativos robustos já não são suficientes para sustentar as avaliações das empresas quando acompanhados por incertezas sobre despesas de capital e geração de caixa.

Para Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo, o mercado passou a exigir mais do que evidências de demanda por inteligência artificial. Segundo a analista, os traders querem demonstrações concretas de monetização, margens operacionais e fluxo de caixa.

Essa mudança de percepção tornou-se especialmente evidente entre as empresas de computação em nuvem especializadas em infraestrutura para inteligência artificial, conhecidas como neoclouds.

O setor enfrenta uma forte correção neste mês, à medida que aumentam as dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos bilionários em data centers financiados por endividamento.

As ações da CoreWeave e da Nebius acumulam perdas superiores a 30% em outubro, refletindo a preocupação com os custos de financiamento, a necessidade contínua de capital e o prazo necessário para que os novos projetos apresentem retornos financeiros consistentes.

A pressão continua nesta segunda-feira. CoreWeave e Nebius recuam aproximadamente 3% no pré-mercado, enquanto a IREN perde 2,6% e a Applied Digital registra queda de 1,5%.

O desempenho dessas companhias contrasta com a recuperação das grandes empresas de tecnologia, evidenciando uma crescente diferenciação entre negócios com geração de caixa consolidada e empresas que dependem de financiamento externo para sustentar sua expansão.

O aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano intensificou esse processo, uma vez que eleva o custo da dívida e reduz a atratividade de projetos cuja rentabilidade depende de receitas futuras.

No domingo, Elon Musk reforçou as preocupações sobre a situação financeira das neoclouds. Em publicação na plataforma X, o empresário afirmou que os mercados praticamente interromperam o acesso ao financiamento para empresas que não possuem fontes substanciais de receita independentes dos data centers de inteligência artificial.

Musk também previu uma consolidação do setor, diante das dificuldades enfrentadas pelas companhias mais dependentes de capital externo.

Apesar dessa perspectiva, o empresário descartou a possibilidade de a SpaceX adquirir empresas neocloud, classificando esse tipo de operação como desnecessário para sua estratégia.

As declarações reforçam uma tendência que começa a ganhar força em Wall Street: a inteligência artificial continua sendo considerada uma das principais oportunidades de crescimento da economia global, mas o mercado demonstra menor disposição para financiar indiscriminadamente sua expansão.

A diferença entre empresas que conseguem sustentar investimentos com recursos próprios e aquelas que dependem de novas emissões de dívida ou ações deverá se tornar cada vez mais relevante para a avaliação dos ativos.

Nesse contexto, os resultados de Alphabet, Microsoft e Amazon poderão oferecer indicações importantes sobre a evolução da demanda por serviços de nuvem, os gastos com infraestrutura computacional e a capacidade de transformar os investimentos em inteligência artificial em receitas e lucros.

Os traders também estarão atentos às projeções de despesas de capital para os próximos trimestres, especialmente após a reação negativa aos planos de expansão apresentados pela Meta.

Uma combinação de crescimento robusto das receitas, margens estáveis e geração de caixa consistente poderá contribuir para restaurar a confiança no setor. Por outro lado, novos aumentos expressivos de investimentos, sem contrapartida proporcional nos resultados, poderão provocar outra rodada de vendas.

A decisão do Federal Reserve acrescenta uma variável importante a esse cenário. Embora a queda do petróleo ofereça algum alívio imediato, a persistência das tensões geopolíticas e a trajetória dos rendimentos dos Treasuries continuarão influenciando as expectativas para os juros americanos.

Para os traders, a semana será decisiva para determinar se a recuperação das bolsas representa o início de uma estabilização mais consistente ou apenas um movimento temporário após as perdas recentes. A combinação entre a decisão do Fed, os resultados de Alphabet, Microsoft e Amazon e a evolução do petróleo deverá orientar o comportamento dos principais índices de Wall Street.

O ponto central permanece na capacidade das empresas de inteligência artificial de transformar investimentos bilionários em resultados financeiros sustentáveis. Em um ambiente de custos de financiamento elevados, o mercado demonstra que o crescimento das receitas, isoladamente, já não é suficiente: a geração de caixa e o retorno sobre o capital investido passaram a ocupar o centro das decisões dos traders.

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