Morning Call - 20/03/2026 - Juros Disparam nos EUA e UE

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Brasil

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Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLH2026


Greve dos Caminhoneiros Suspensa

A ameaça de paralisação dos caminhoneiros foi suspensa, ao menos temporariamente. Lideranças da categoria decidiram não deflagrar greve neste momento e conceder um prazo de sete dias para avançar nas negociações com o governo federal sobre a implementação da medida provisória que atende parte das reivindicações.

O texto, já publicado no Diário Oficial, reforça a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e estabelece penalidades mais duras para empresas que descumprirem a tabela, com multas que podem variar entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões.

Apesar do recuo na mobilização, o movimento segue ativo. Os caminhoneiros afirmam que continuam negociando outras demandas com o governo, que poderão ser incorporadas à medida provisória por meio de emendas.


Estados Unidos

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Os futuros dos índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — operam novamente em queda nesta sexta-feira, com a pressão vendedora ganhando força após a abertura dos mercados europeus, em uma sessão marcada por uma agenda econômica esvaziada.

O movimento negativo é liderado pelos contratos do Russell 2000 USARUS, mais sensíveis à trajetória das taxas de juros, que recuam cerca de 1,3%. Já o índice de volatilidade VIX $ACTIVTRADES:USAVIXH2026 avança mais de 4%, mantendo-se próximo dos 25 pontos, sinalizando aumento na demanda por proteção antes do fim de semana.

No front geopolítico, a escalada do conflito no Oriente Médio segue dominando o sentimento dos mercados. O Irã atacou a maior usina de gás do mundo, localizada no Catar, impactando significativamente o fornecimento global de energia. Segundo a QatarEnergy, os danos podem retirar cerca de 17% da capacidade de exportação de GNL do país por um período de três a cinco anos, pressionando ainda mais os preços energéticos.

Além disso, a Arábia Saudita indicou que o petróleo poderia ultrapassar US$ 180 por barril caso as interrupções no fornecimento persistam até o final de abril, elevando o risco de um choque inflacionário global mais severo.

Os impactos da guerra também se estenderam para outras classes de ativos. Os metais preciosos registram forte queda na semana, com o ouro sendo pressionado por liquidações. Para Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, o movimento recente sugere vendas em pânico, embora ele acredite na formação de um possível fundo no curto prazo.

Na tentativa de conter a escalada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não pretende enviar tropas terrestres, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sinalizou que o país evitará novos ataques a instalações energéticas iranianas.
Além disso, aliados dos EUA — como Reino Unido, Canadá, França, Alemanha e Japão — divulgaram uma declaração conjunta reafirmando a disposição de contribuir para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

Mesmo com essas tentativas de estabilização, o cenário segue altamente volátil, com os mercados precificando um ambiente de energia mais cara, inflação persistente e crescimento mais frágil, mantendo o apetite por risco reduzido no curto prazo.


Europa

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Os principais índices acionários da Europa — EURO50, GER40, GERMID50, ESP35, UK100, FRA40, ITA40 e SWI20 — operam levemente no campo negativo nesta sexta-feira, após a forte deterioração observada na sessão anterior, quando os mercados passaram a precificar um ciclo mais agressivo de aperto monetário na região.

A pressão recente reflete a expectativa de que o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra possam elevar suas taxas de juros em até 75 pontos-base ao longo do ano, em resposta ao aumento das pressões inflacionárias.

Embora ambos os bancos centrais tenham mantido suas taxas inalteradas na decisão mais recente, os comunicados e discursos de seus dirigentes reforçaram um tom mais hawkish, indicando que novas altas de juros estão em discussão para os próximos meses.

O pano de fundo segue sendo a escalada da guerra envolvendo o Irã, que tem pressionado os preços de energia e ampliado os riscos inflacionários na Zona do Euro e no Reino Unido.
Com isso, o mercado europeu entra em um novo regime de precificação: menos foco em crescimento e mais atenção ao risco de inflação persistente e juros mais altos por mais tempo, combinação que tende a limitar o apetite por risco no curto prazo.


Ásia/Pacífico

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Os mercados da Ásia-Pacífico recuaram nesta madrugada, refletindo a cautela dos investidores diante da continuidade do conflito no Oriente Médio e dos impactos da alta do petróleo sobre a região. A forte dependência de países asiáticos em relação à importação de energia do Oriente Médio amplia a sensibilidade desses mercados, resultando em uma correção mais intensa dos ativos de risco em comparação a economias exportadoras de commodities.

Na China continental e em Hong Kong, o movimento foi predominantemente negativo. Os índices Shenzhen 399001, China A50 XIN9, Hang Seng HSI e Shanghai 000001 recuaram até 1,2%, com o mercado já incorporando a expectativa de manutenção das taxas de juros pelo Banco Popular da China em 3% para o prazo de 1 ano e 3,5% para 5 anos.

No noticiário corporativo, a Xiaomi caiu mais de 7%, após anunciar um novo modelo de veículo elétrico e revelar planos de investir cerca de US$ 8,7 bilhões em inteligência artificial nos próximos três anos, movimento que levantou preocupações sobre aumento de custos e retorno desses investimentos no curto prazo.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi KOSPI destoou parcialmente do restante da região ao avançar 0,3%, ainda sustentado pelo otimismo com as promessas do governo de implementar reformas no mercado financeiro. Em Taiwan, o TWSE 50 TW50 recuou 0,1%, com a TSMC caindo 0,5%. No Japão, não houve negociações devido a feriado local.

Já na Austrália, o índice ASX 200 XJO caiu 0,8%, pressionado principalmente pelos setores financeiro e de mineração.

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