Morning Call - 23/03/2026 - Juros Sobem Pressionados por Petróle

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Agenda de Indicadores:
8:25 – BRA – Boletim Focus
9:30 – USA – Índice de Atividade Nacional Fed Chicago
14:00 – USA – PIB Agora do Fed de Atlanta


Brasil

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Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLH2026


Diesel dispara!

O avanço dos preços do diesel no Brasil acendeu um novo sinal de alerta no cenário macroeconômico. O combustível atingiu uma média de R$ 7,22 na última quarta-feira, ante R$ 5,74 antes do início da guerra, intensificando preocupações com a inflação e reacendendo o risco de paralisações no setor de transporte.

A alta ocorre em meio à escalada do petróleo no mercado internacional e pressiona diretamente os custos logísticos, com potencial de repasse para toda a cadeia produtiva. O tema ganhou prioridade no governo federal, que busca alternativas para conter o impacto sobre consumidores e empresas.

No centro das discussões está o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal tributo incidente sobre os combustíveis. Governadores aguardam uma proposta concreta da equipe econômica para viabilizar a desoneração do diesel, após o Ministério da Fazenda sugerir um modelo de compensação que prevê o reembolso de parte das perdas de arrecadação dos estados.

Os detalhes da proposta ainda não foram formalizados, mas devem ser debatidos na próxima reunião do Confaz, marcada para o dia 27. A expectativa é de que o encontro avance na construção de uma solução coordenada entre União e estados.


Estados Unidos

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Os futuros dos índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — operam em forte queda nesta segunda-feira, pressionados pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelo risco crescente à infraestrutura energética global, o que impulsiona o petróleo e força uma reprecificação relevante das expectativas de juros nos Estados Unidos.

No campo geopolítico, a tensão aumentou após a Guarda Revolucionária do Irã afirmar que poderá atacar instalações energéticas de Israel e bases americanas no Golfo Pérsico, caso o presidente Donald Trump avance com a ameaça de atingir a rede elétrica iraniana. O risco de uma escalada mais ampla eleva o prêmio de risco nos mercados globais.

Os preços do petróleo reagem fem alta: o Brent supera US$ 114 por barril, enquanto o WTI volta a negociar acima de US$ 100, reacendendo temores inflacionários e pressionando a política monetária.

Nesse contexto, o mercado passou por uma rápida revisão de cenário. Os traders já não precificam mais cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026, e passaram a atribuir probabilidade superior a 50% para uma alta de juros no segundo semestre. A mudança reflete tanto o choque de energia quanto o tom mais duro adotado pelo Fed na última reunião, quando projetou inflação mais elevada e apenas uma redução de juros mais à frente.

O movimento negativo é liderado pelo índice de pequenas empresas Russell 2000 USARUS, mais sensíveis à dinâmica de juros, que recua cerca de 1,9%. O índice já acumula queda superior a 10% em relação ao topo recente, entrando oficialmente em território de correção.

Ao mesmo tempo, o índice de volatilidade VIX $ACTIVTRADES:USAVIXH2026 avança cerca de 6,5%, operando próximo dos 27 pontos, refletindo a crescente busca por proteção em meio ao aumento da incerteza.


Europa

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Os principais índices acionários da Europa — EURO50, GER40, GERMID50, ESP35, UK100, FRA40, ITA40 e SWI20 — registram quedas superiores a 2% nesta segunda-feira, atingindo mínimas de quatro meses, em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio e ao aumento das preocupações com inflação e política monetária.

A disparada dos preços de combustíveis — tanto gasolina quanto gás — levou as cotações aos níveis mais altos desde o início de 2022, período marcado pela Guerra da Ucrânia. Diante disso, os mercados passaram a precificar um aperto monetário agressivo, com expectativa de até 75 pontos-base de alta nas taxas por parte do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra.

O movimento de queda é generalizado. Todos os setores que compõem o Euro Stoxx 50 EURO50 operam no vermelho, refletindo uma forte aversão ao risco. O índice acumula uma queda de aproximadamente 11% no mês.

No campo geopolítico, as tensões aumentaram após o Irã ameaçar atacar infraestruturas energéticas de países do Golfo, caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avance com a promessa de “aniquilar” a rede elétrica iraniana.


Ásia/Pacífico

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Os mercados da Ásia-Pacífico iniciaram a semana em forte queda, refletindo a crescente preocupação de que a guerra no Oriente Médio se prolongue e cause danos duradouros ao fornecimento global de energia. Em um cenário de inflação elevada, os traders voltaram a precificar um ambiente de juros mais altos por mais tempo, com expectativas de aperto monetário envolvendo o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e até o Federal Reserve.

No campo geopolítico, a escalada ganhou novos contornos. O Irã afirmou que poderá atacar infraestruturas de energia e água de países do Golfo caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avance com ameaças contra a rede elétrica iraniana. Ao mesmo tempo, Washington deu um ultimato de 48 horas para que o Estreito de Ormuz seja totalmente reaberto, mantendo o mercado sob elevada tensão.

Segundo Shane Oliver, da gestora de fundos AMP, disse que "a guerra ainda pode durar muitas semanas e os preços do petróleo podem subir para US$ 150 o barril. Enquanto que a destruição constante da infraestrutura energética significa que levará mais tempo para que o fornecimento volte ao normal."

Os efeitos já são visíveis nos preços de energia e transporte. Analistas do HSBC destacam que o querosene de aviação em Singapura subiu 175% no ano, atingindo máximas de décadas, enquanto o gás natural liquefeito na Ásia avançou 130%. O combustível marítimo também disparou, elevando os custos logísticos globais, enquanto os fertilizantes mais caros adicionam pressão adicional sobre os preços dos alimentos.

Nos mercados acionários, as perdas foram generalizadas e expressivas. O índice Kospi KOSPI, da Coreia do Sul, liderou as quedas com recuo de 6,5%, acumulando perda de 13% no mês. No Japão, o Nikkei NI225 caiu 3,5%, ampliando a baixa mensal para 12%.

Na China continental e em Hong Kong, os índices Shenzhen 399001, China A50 XIN9, Hang Seng HSI e Shanghai 000001 recuaram entre 3% e 3,8%, refletindo a deterioração do sentimento global.

Em Taiwan, o TWSE 50 TW50 caiu 2,6%, com a TSMC recuando 1,6%. Já na Austrália, o índice ASX 200 XJO perdeu 0,7%, pressionado principalmente pelos setores financeiro e de mineração.

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