Morning Call - 14/07/2026 - IPC Será Decisivo para o FEDAgenda de Indicadores:
9:30 – USA – Índice de Preços ao Consumidor (IPC) (Junho)
17:30 – USA – Estoques de Petróleo Bruto Semanal API
Agenda de Autoridades:
10:00 – USA – Kevin Warsh, Presidente do Fed (Vota), presta depoimento em audiência do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara sobre o "Relatório Semestral de Política Monetária do Federal Reserve", em Washington
13:40 – USA – Michael Barr, Governador do Fed (Vota), discursa sobre inteligência artificial na Conferência Anual de Inclusão Financeira do Federal Reserve
14:00 – USA – Austan Goolsbee, do Fed de Chicago (Não Vota), participa de uma sessão moderada de perguntas e respostas em um evento híbrido de almoço empresarial da Kenosha Area Business Alliance
14:30 – USA – Lisa Cook, governador do Fed (Vota), modera o debate "Consumidores, Inteligência Artificial e Inclusão Financeira: Equilibrando Oportunidades e Desafios" na Conferência Anual de Inclusão Financeira do Federal Reserve
15:55 – USA – Michelle Bowman, vice-presidente de Supervisão do Fed (Vota), discursa sobre "Inovação Responsável e Inclusão Financeira" na Conferência Anual de Inclusão Financeira do Federal Reserve (via vídeo pré-gravado)
Brasil
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Estados Unidos
Os futuros dos principais índices de Nova York — ACTIVTRADES:USA500 , ACTIVTRADES:USAIND , ACTIVTRADES:USATEC e ACTIVTRADES:USARUS — operam sem direção única nesta terça-feira, com os traders dividindo as atenções entre a divulgação do índice de preços ao consumidor (IPC) dos Estados Unidos, os primeiros balanços dos grandes bancos de Wall Street e a escalada das tensões entre EUA e Irã, que voltou a pressionar os preços do petróleo e reacendeu preocupações com a inflação.
JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup abrem hoje a temporada de resultados do segundo trimestre. Os números das instituições financeiras serão acompanhados de perto em busca de sinais sobre a saúde da economia americana e a disposição das empresas para investir em um ambiente de juros elevados.
Após impulsionar o S&P 500 a uma valorização próxima de 10% neste ano, a temporada de balanços é vista como um dos principais testes para a continuidade da alta das ações americanas.
Na agenda macroeconômica, o destaque fica para a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de junho, às 9h30 (horário de Brasília). A expectativa é de uma desaceleração da inflação em relação ao mês anterior. Ainda assim, o alívio pode ser temporário, já que a recente disparada dos preços do petróleo tende a elevar novamente os custos de energia e manter o Federal Reserve em estado de alerta.
"Os preços da gasolina já voltaram a ficar acima dos níveis de junho, o que significa que o próximo relatório de inflação deverá mostrar uma nova aceleração. Por isso, os números do IPC de hoje podem acabar sendo menos relevantes do que a própria escalada das tensões geopolíticas", afirmou Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote Bank.
Logo após a divulgação do indicador, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, apresentará o relatório semestral de política monetária ao Congresso americano, às 11h (horário de Brasília). O mercado buscará pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária diante do aumento das incertezas inflacionárias.
O discurso ocorre um dia após o diretor do Fed, Christopher Waller, afirmar que o banco central poderá ser obrigado a elevar as taxas de juros "no curto prazo" caso a inflação permaneça significativamente acima da meta de 2%.
Segundo a CME Group, os mercados passaram a atribuir uma probabilidade de 43% para uma alta de 25 pontos-base na reunião do Federal Reserve de 29 de julho, acima dos 34% registrados no dia anterior.
No campo geopolítico, os traders seguem atentos à intensificação do conflito no Oriente Médio. A terceira noite consecutiva de ataques entre Estados Unidos e Irã, somada à possibilidade de imposição de uma tarifa de 20% sobre embarcações que atravessem o Estreito de Ormuz, aumentou a aversão ao risco.
O Irã afirmou que uma base aérea americana na Jordânia foi atingida por mísseis balísticos durante a madrugada e voltou a pedir que o governo jordaniano encerre a presença militar dos Estados Unidos em seu território. Diante desse cenário, os contratos futuros do petróleo atingiram o maior nível em quatro semanas.
Apesar do ambiente mais cauteloso, os futuros do Nasdaq recuperam parte das perdas registradas na sessão anterior. As ações de empresas de semicondutores mostram sinais de estabilização no pré-mercado, após a forte realização de lucros observada na segunda-feira, com o ETF iShares Semiconductor avançando cerca de 2,4%.
Europa
Os principais índices acionários da Europa — ACTIVTRADES:EURO50 , ACTIVTRADES:GER40 , ACTIVTRADES:GERMID50 , ACTIVTRADES:ESP35 , ACTIVTRADES:UK100 , ACTIVTRADES:FRA40 , ACTIVTRADES:ITA40 e ACTIVTRADES:SWI20 — operam em queda generalizada nesta terça-feira, pressionados pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Ao mesmo tempo, os traders acompanham o início da temporada de balanços corporativos para avaliar os impactos do conflito geopolítico sobre os resultados das empresas.
O Euro Stoxx 50 ACTIVTRADES:EURO50 recua cerca de 0,5%, enquanto o DAX ACTIVTRADES:GER40 , da Alemanha, perde aproximadamente 0,3%.
O setor de viagens e lazer lidera as perdas, com recuo de 2,6%, refletindo o avanço dos preços da energia. As ações das companhias aéreas Air France e Lufthansa, altamente sensíveis ao custo dos combustíveis, caem mais de 2% cada, enquanto o petróleo Brent sobe quase 4%, sendo negociado próximo de US$ 86 por barril.
Entre os destaques corporativos, as ações da Ericsson despencam cerca de 8% após a fabricante sueca de equipamentos de telecomunicações divulgar vendas trimestrais ligeiramente abaixo das expectativas do mercado e alertar para o aumento dos custos de componentes, pressionando suas perspectivas para os próximos trimestres.
Na direção oposta, a petrolífera britânica BP figura entre os poucos destaques positivos da sessão. As ações avançam 1,6% depois que a companhia informou que os resultados de sua divisão de comercialização de petróleo deverão superar ligeiramente as expectativas no segundo trimestre, beneficiados pela alta recente dos preços da commodity.
No mercado de juros, a valorização do petróleo reacendeu preocupações com a inflação na Zona do Euro. Como consequência, os investidores elevaram as apostas de que o Banco Central Europeu promoverá pelo menos mais um aumento de 25 pontos-base na taxa básica de juros já na reunião de setembro.
O setor de tecnologia também permanece no radar dos investidores, em meio às dúvidas sobre a sustentabilidade das elevadas avaliações das empresas ligadas à inteligência artificial. A divulgação dos resultados da ASML, prevista para o fim da semana, será acompanhada de perto por analistas e poderá fornecer novos sinais sobre a demanda global por equipamentos para fabricação de semicondutores e o ritmo dos investimentos em infraestrutura de IA.
Ásia/Pacífico
Ativos asiáticos negociados na ActivTrades: ACTIVTRADES:HKIND ACTIVTRADES:JP225 ACTIVTRADES:CHINAA50
Os mercados da Ásia-Pacífico encerraram a terça-feira majoritariamente em alta, impulsionados pela volta do apetite por risco, com investidores aproveitando a recente correção para recompor posições, especialmente em ações ligadas ao setor de tecnologia.
Na Coreia do Sul e no Japão, os índices Kospi TVC:KOSPI e Nikkei 225 TVC:NI225 avançaram 0,7% cada, recuperando parte das perdas registradas nas últimas sessões.
No mercado sul-coreano, a recuperação foi liderada pelas fabricantes de semicondutores. As ações da SK Hynix e da Samsung Electronics subiram mais de 3%, enquanto a maior parte dos demais setores apresentou desempenho mais contido.
Já no Japão, o movimento de alta foi mais disseminado, com ganhos distribuídos entre diferentes segmentos da bolsa, refletindo uma melhora mais ampla do sentimento dos investidores.
Na China continental e em Hong Kong, o tom também foi positivo. Os índices Shanghai SSE:000001 , Shenzhen SZSE:399001 , China A50 FTSE:XIN9 e Hang Seng HSI:HSI registraram ganhos entre 0,5% e 2,8%, sustentados pela recuperação das ações de tecnologia e pelo maior apetite ao risco na região.
Na contramão, o índice TWSE 50 FTSE:TW50 , de Taiwan, recuou 1,7%, pressionado pelas ações da TSMC, que perderam 0,8% antes da divulgação de seus resultados trimestrais.
Na Austrália, o índice ASX 200 ASX:XJO encerrou próximo da estabilidade. O avanço das empresas de mineração compensou a fraqueza do setor financeiro, limitando as oscilações do principal índice do país.
Economia
Morning Call - 11/06/2026 - BCE deverá aumentar os Juros Hoje!Agenda de Indicadores:
9:00 – BRA – Crescimento do Setor de Serviços
9:15 – UE – Decisão de Taxa de Juros do BCE
9:30 – USA – Índice de Preços ao Produtor (IPP)
9:30 – USA – Pedidos por Seguro-Desemprego
14:00 – USA – Relatório WASDE
Agenda de Autoridades:
USA – Período de Silêncio dos membros do Fed. Término: 19/06
9:45 – UE – Coletiva de Imprensa com a presidente do BCE, Christine Lagarde
11:15 – UE – Christine Lagarde, presidente do BCE, apresentará as últimas decisões de política monetária no podcast do BCE.
Brasil
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Estados Unidos
Os futuros dos principais índices de Nova York — ACTIVTRADES:USA500 , ACTIVTRADES:USAIND , ACTIVTRADES:USATEC e ACTIVTRADES:USARUS — operam em alta nesta quinta-feira, impulsionados pelo avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, alimentando a expectativa de uma possível redução das tensões no Oriente Médio e melhorando o apetite por risco dos traders.
Segundo três fontes iranianas e uma autoridade europeia, os contatos entre Washington e Teerã se intensificaram nos últimos dias após ambas as partes terem alcançado um entendimento político preliminar. As discussões agora estariam concentradas nos detalhes técnicos de um memorando de entendimento que poderá servir como base para um acordo mais amplo.
Entre os pontos ainda em negociação estão mecanismos para a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados no exterior, além de garantias relacionadas à navegação no Estreito de Ormuz e questões ligadas ao programa nuclear iraniano.
"Do ponto de vista militar, esta guerra é um beco sem saída. Os americanos não conseguiram atingir seus objetivos atacando o Irã. Houve progresso nas negociações", afirmou uma das fontes iranianas ouvidas pela imprensa internacional.
O mercado interpreta o avanço das conversas como um fator potencialmente positivo para os ativos de risco, especialmente diante da possibilidade de redução das tensões geopolíticas e de alívio sobre os preços da energia.
Apesar do progresso diplomático, o cenário permanece delicado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que um acordo está próximo, mas reiterou que novas ações militares continuam sobre a mesa caso as negociações não avancem conforme esperado.
Até o momento, autoridades americanas não comentaram oficialmente o estágio atual das conversas, mantendo cautela sobre qualquer perspectiva de conclusão iminente.
Resultado da Oracle
A Oracle anunciou uma forte aceleração de seus investimentos para o ano fiscal de 2027, reforçando sua aposta na expansão da infraestrutura de inteligência artificial e computação em nuvem. Apesar das perspectivas robustas de crescimento, as ações da companhia recuam cerca de 8% no pré-mercado, refletindo preocupações dos investidores com o forte aumento dos gastos e da alavancagem financeira.
A empresa informou que pretende captar aproximadamente US$ 40 bilhões ao longo de 2027 por meio de uma combinação de dívida e emissão de ações. O plano inclui um programa de venda de ações de até US$ 20 bilhões, já anunciado anteriormente.
O movimento evidencia a intensidade dos investimentos necessários para sustentar a corrida global por capacidade computacional voltada à inteligência artificial. Assim como Amazon, Microsoft e Alphabet, a Oracle vem ampliando agressivamente seus gastos para atender à crescente demanda por data centers e serviços de IA.
A companhia tem buscado consolidar sua posição como uma das principais concorrentes no mercado de computação em nuvem, disputando espaço com líderes tradicionais do setor. Entre seus principais clientes estão empresas como Meta e OpenAI, que exigem cada vez mais capacidade de processamento para treinamento e operação de modelos avançados de inteligência artificial.
Um dos principais projetos da Oracle é o megacomplexo de data centers "Stargate", no Texas, desenvolvido em parceria com a OpenAI e outras empresas do setor. Segundo a companhia, o projeto estará mais de 75% concluído nos próximos 90 dias. A OpenAI já confirmou que seus clientes podem acessar alguns dos modelos mais avançados da empresa por meio da infraestrutura da Oracle Cloud.
Segundo Clay Magouyrk, CEO da Oracle Cloud Infrastructure: "Nosso ritmo de entrega continua acelerando. No primeiro trimestre fiscal de 2027, estaremos próximos de entregar um gigawatt de capacidade, praticamente o mesmo volume que entregamos ao longo dos quatro trimestres anteriores somados."
A Oracle também revisou para cima suas projeções de investimento. A companhia espera realizar despesas de capital de até US$ 95 bilhões no ano fiscal de 2027, valor muito acima dos padrões históricos da empresa. Parte desse montante deverá ser compensada por aproximadamente US$ 25 bilhões em reembolsos e contribuições de clientes vinculados aos projetos de infraestrutura.
Europa
Os principais índices acionários da Europa — ACTIVTRADES:EURO50 , ACTIVTRADES:GER40 , ACTIVTRADES:GERMID50 , ACTIVTRADES:ESP35 , ACTIVTRADES:UK100 , ACTIVTRADES:FRA40 , ACTIVTRADES:ITA40 e ACTIVTRADES:SWI20 — operam em alta nesta quinta-feira, impulsionados pela queda dos preços do petróleo e pelo aumento das expectativas de um avanço diplomático nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Os traders também aguardam a decisão de política monetária do Banco Central Europeu, que deverá promover seu primeiro aumento de juros em quase três anos.
O índice Euro Stoxx 50 ACTIVTRADES:EURO50 avança cerca de 1%, enquanto o DAX ACTIVTRADES:GER40 , da Alemanha, sobe 0,2%. Já o FTSE 100 ACTIVTRADES:UK100 , do Reino Unido, registra ganhos próximos de 0,9%.
O movimento positivo ocorre em meio à queda dos preços da energia. O petróleo Brent recua para a região de US$ 92 por barril, refletindo o otimismo crescente em relação à possibilidade de um acordo preliminar entre Washington e Teerã. Como a Europa é altamente dependente de importações de energia, a redução dos preços do petróleo tende a aliviar preocupações inflacionárias e favorecer os ativos de risco da região.
As tensões no Oriente Médio voltaram a se intensificar no início da semana após a derrubada de um helicóptero Apache americano nas proximidades do Estreito de Ormuz. O episódio desencadeou uma série de ataques de retaliação dos Estados Unidos contra alvos iranianos e elevou temporariamente os receios sobre uma interrupção prolongada no fluxo global de petróleo.
No entanto, o sentimento dos mercados melhorou após informações indicarem que os canais diplomáticos entre os dois países continuam ativos. Segundo três fontes iranianas e uma autoridade europeia, as negociações para um entendimento preliminar ganharam força nos últimos dias, com a troca de mensagens envolvendo um possível "memorando de entendimento" que poderia servir de base para um acordo mais amplo.
Decisão de Juros do BCE
O Banco Central Europeu deverá elevar suas taxas de juros em 25 pontos-base nesta quinta-feira, em uma tentativa de conter as pressões inflacionárias que ganharam força nos últimos meses, impulsionadas principalmente pelo aumento dos custos de energia decorrente da guerra no Oriente Médio.
A decisão já está amplamente precificada pelos mercados e ocorre em um momento desafiador para a economia da zona do euro. Enquanto a inflação ao consumidor permanece acima de 3% ao ano — bem acima da meta de 2% estabelecida pelo BCE —, o crescimento econômico segue fraco, com diversos países do bloco apresentando sinais de desaceleração ou estagnação.
Segundo Annalisa Piazza, da MFS Investment Management: "O BCE precisa aumentar os juros para preservar sua credibilidade e evitar que as expectativas de inflação se deteriorem. No entanto, a política monetária ainda estaria migrando para um patamar neutro, e não necessariamente para uma postura claramente restritiva."
Já para Julien Lafargue, estrategista-chefe de mercado do Barclays Private Bank: "A questão fundamental não é a alta desta semana, mas a forma como ela será comunicada: se será apresentada como uma medida isolada ou como o início de um novo ciclo de aperto monetário."
Lafargue acrescenta que a presidente do BCE, Christine Lagarde, provavelmente evitará fornecer orientações muito específicas sobre os próximos passos, preservando flexibilidade diante das incertezas geradas pelo conflito entre Irã e Estados Unidos e seus impactos sobre os preços da energia.
Caso a decisão seja confirmada, será a primeira elevação de juros do BCE em quase três anos, levando a taxa de depósito de 2,00% para 2,25%, a taxa principal de refinanciamento de 2,15% para 2,40% e a taxa de empréstimo overnight de 2,40% para 2,65%.
Embora a alta esteja amplamente antecipada, o principal foco dos traders estará na coletiva de Christine Lagarde e nas novas projeções econômicas divulgadas pela instituição. O mercado buscará sinais sobre a trajetória futura da política monetária e sobre o grau de preocupação do BCE com a persistência da inflação.
Atualmente, os contratos futuros apontam para a possibilidade de pelo menos mais duas elevações de juros nos próximos meses, com setembro sendo apontado como o momento mais provável para a próxima alta.
Ásia/Pacífico
Ativos asiáticos negociados na ActivTrades: ACTIVTRADES:HKIND ACTIVTRADES:JP225 ACTIVTRADES:CHINAA50
Os mercados da Ásia-Pacífico encerraram a sessão desta quinta-feira sem uma direção única, à medida que os traders avaliaram os desdobramentos no Oriente Médio e reagiram à confirmação de que os Estados Unidos encerraram sua mais recente rodada de ataques aéreos contra o Irã.
Após um início de sessão mais pressionado, os mercados recuperaram parte das perdas ao longo do pregão, refletindo a percepção de que o risco de uma escalada imediata do conflito diminuiu temporariamente.
Entre os destaques positivos da região, o Kospi TVC:KOSPI , da Coreia do Sul, avançou 0,4%, enquanto o Nikkei TVC:NI225 , do Japão, encerrou com alta mais modesta de 0,1%. O desempenho foi relativamente equilibrado, sem liderança clara de setores específicos, com os traders alternando entre realizações de lucro e compras seletivas.
Na ponta negativa, os mercados da China, Hong Kong e Taiwan apresentaram desempenho mais fraco. Os índices Shanghai SSE:000001 , Shenzhen SZSE:399001 , China A50 FTSE:XIN9 , Hang Seng HSI:HSI e TWSE 50 FTSE:TW50 registraram perdas entre 0,2% e 0,7%, refletindo a cautela diante das incertezas geopolíticas e na condução das taxas de juros.
Na Austrália, o ASX 200 ASX:XJO recuou 0,2%, acompanhando o tom mais defensivo observado em parte dos mercados asiáticos.
Decisão de Juros do Banco da Inglaterra (BoE)O Banco da Inglaterra (BoE) deve manter a taxa básica de juros em 3,75% na reunião desta quinta-feira, enquanto avalia os impactos da guerra no Irã sobre a economia e a inflação britânica. Ainda assim, o mercado estará atento a qualquer sinal de que a autoridade monetária esteja se preparando para um novo ciclo de alta.
Na última sexta-feira, os traders já haviam precificado integralmente um aumento de 25 pontos-base em julho, seguido por outro em setembro e uma menor probabilidade de um terceiro movimento até o fim do ano — mesmo após o governador Andrew Bailey alertar que esse cenário pode ser prematuro.
Essas apostas podem ganhar força caso membros do Comitê de Política Monetária (MPC) indiquem maior preocupação com um novo episódio inflacionário, especialmente diante das memórias recentes de inflação acima de 11% em 2022.
A expectativa predominante é de uma votação de 8 a 1 pela manutenção dos juros, após decisão unânime na reunião de março. No entanto, parte do mercado avalia que até três membros poderiam defender uma alta para 4,0%, como forma de evitar que a inflação geral contamine salários e preços corporativos.
A economia britânica é vista como particularmente sensível ao choque energético, dado seu elevado consumo de gás natural. Dados recentes reforçam esse risco: os custos de insumos das empresas subiram, elevando as expectativas de reajustes de preços para os próximos 12 meses ao ritmo mais rápido já registrado.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação do Reino Unido — que já foi a mais alta do G7 nos últimos anos — deve atingir um pico de 4% em 2026.
No debate interno, há divisão. De um lado, membros mais preocupados com a inflação — como o economista-chefe Huw Pill — defendem uma postura preventiva. Por outro lado, há preocupação com o crescimento.
Indicadores já apontam para enfraquecimento do mercado de trabalho, além de deterioração na confiança de consumidores e empresas — fatores que podem ser agravados por um aperto monetário prematuro.
Diante desse cenário incerto, o MPC deve reiterar sua mensagem de março de que está “pronto para agir”, sem se comprometer com um caminho específico para os juros.
Segundo Thomas Pugh, economista-chefe da RSM para o Reino Unido, um tom mais duro não necessariamente indica ação iminente: a expectativa é de que os dados econômicos enfraqueçam nos próximos meses, o que pode deslocar o foco para os riscos de crescimento.
O BoE também divulgará novas projeções econômicas — as primeiras desde o início do conflito — que devem apontar para inflação mais alta e crescimento mais fraco em 2026 e 2027.
Para Edward Allenby, da Oxford Economics, o mais relevante será observar como os membros do comitê se posicionam diante de diferentes cenários, mais do que qualquer sinalização direta de política. Seu cenário base aponta para manutenção dos juros ao longo do ano, com maior clareza sobre os impactos do choque energético apenas na reunião de julho.
A decisão será anunciada às 8h (horário de Brasília), seguida por coletiva de imprensa de Bailey e demais membros do comitê às 8h30.
Decisão de Juros do Banco Central Europeu (BCE)O Banco Central Europeu (BCE) deve manter suas taxas de juros inalteradas pela oitava reunião consecutiva, em linha com a postura adotada por outros grandes bancos centrais globais nesta semana. No entanto, a autoridade monetária deve sinalizar que um aumento nas taxas — possivelmente já em junho — poderá ser necessário para conter a inflação impulsionada pelos preços de energia.
As principais taxas devem permanecer nos níveis atuais: 2,15% para a taxa de financiamento, 2,00% para depósitos e 2,40% para a taxa overnight utilizada pelo sistema bancário.
Desde o início da guerra com o Irã, a inflação na zona do euro subiu significativamente acima da meta de 2% do BCE. Os formuladores de política acompanham com atenção o risco de que esse choque se torne mais persistente, gerando efeitos de segunda ordem que tornariam a inflação mais disseminada e autossustentável.
Até o momento, esses efeitos ainda não se materializaram de forma clara. O setor de serviços — historicamente um dos principais vetores de pressão inflacionária — apresenta sinais de desaceleração mais intensos do que o esperado, o que reduz a urgência de ação imediata e dá ao BCE mais tempo para avaliar dados ainda incompletos sobre os impactos da guerra.
Apesar disso, o espaço para postergação parece limitado. Os investidores já precificam um aumento de juros em junho, seguido por pelo menos mais duas altas ao longo do ano. Esse cenário reflete a percepção de que a resolução do conflito no Oriente Médio está distante, mantendo o petróleo Brent em níveis elevados — próximo de US$ 118 por barril — acima inclusive do cenário “adverso” projetado pelo BCE.
Segundo Antti Ilvonen, do Danske Bank, mesmo que a política monetária tenha pouca eficácia sobre choques iniciais de custos, o BCE deve focar em manter as expectativas de inflação ancoradas por meio de um aperto gradual.
Ainda assim, o banco central enfrenta um dilema relevante. A necessidade de conter a inflação contrasta com a deterioração do crescimento econômico. Um aperto monetário pode agravar esse cenário, aumentando o risco de recessão na região.
Indicadores recentes reforçam essa preocupação: a confiança empresarial vem caindo mais rapidamente do que o previsto, o setor de serviços está enfraquecendo, os lucros corporativos estão sob pressão, as exportações seguem impactadas por tarifas e os bancos começam a restringir o crédito.
Para Annalisa Piazza, da MFS Investment Management, os riscos para o crescimento estão claramente inclinados para o lado negativo, reduzindo a narrativa anterior de resiliência econômica. Assim, a reunião atual tende a ter menos foco em ação imediata e mais em comunicação, com o BCE reforçando a vigilância inflacionária sem indicar urgência em agir.
Outros bancos centrais também adotaram postura semelhante nesta semana. O Banco do Japão, o Federal Reserve e o Banco do Canadá mantiveram suas taxas inalteradas, enquanto se espera que o Banco da Inglaterra siga o mesmo caminho.
Além disso, membros do BCE destacam que o intervalo de seis semanas entre reuniões permite aguardar dados mais robustos antes de tomar decisões — especialmente considerando que o atual episódio inflacionário difere significativamente daquele observado em 2022.
Naquele período, a inflação era mais elevada, as taxas ainda estavam em território negativo, a política fiscal era expansionista, o mercado de trabalho mais apertado e as famílias contavam com reservas acumuladas durante a pandemia — fatores que não se repetem no cenário atual.
Decisão de Juros do Federal Reserve (Fed)O Federal Reserve deve manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, enquanto as autoridades avaliam se devem destacar os riscos inflacionários em seu comunicado de política monetária — divulgado após uma reunião que pode marcar a última de Jerome Powell como presidente do banco central dos EUA.
O cenário é influenciado pelo ambiente geopolítico. O impasse nas negociações e a continuidade das restrições no Estreito de Ormuz levaram o petróleo Brent novamente acima de US$ 119 por barril, frente aos cerca de US$ 75 observados antes do início do conflito entre EUA, Israel e Irã no final de fevereiro.
Com isso, a inflação segue pressionada. O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), medida preferida do Fed, permanece cerca de 1 ponto percentual acima da meta de 2%, e os dados de março — a serem divulgados amanhã — devem reforçar essa tendência de alta.
Antes do período de silêncio, dirigentes do Fed já sinalizavam preocupação crescente com o risco de que o choque de energia deixe de ser temporário e passe a contaminar a inflação subjacente. Nesse cenário, cresce a possibilidade de manutenção dos juros elevados por mais tempo — ou, em situações mais extremas, até de novas altas.
Os traders, por sua vez, já praticamente descartam cortes de juros no curto prazo, com apostas concentradas apenas para meados do próximo ano. Isso também reflete ceticismo em relação à capacidade do sucessor indicado por Donald Trump, Kevin Warsh, de convencer o comitê de que ganhos de produtividade poderiam permitir uma política monetária mais frouxa sem pressionar a inflação.
Segundo Michael Feroli, economista-chefe do JPMorgan, os dados recentes — especialmente a resiliência do mercado de trabalho, combinada com inflação persistentemente elevada, podem levar a um tom mais duro nas discussões do Fed, embora ainda não suficiente para sinalizar explicitamente novas altas de juros no comunicado.
O mercado de trabalho continua robusto, com o crescimento do emprego surpreendendo positivamente e levando a taxa de desemprego para 4,3% em março.
A decisão do Fed será divulgada às 15h, seguida pela coletiva de imprensa de Powell às 15h30. Além de comentar o cenário econômico e as perspectivas de política monetária, Powell pode abordar seus planos futuros, após a confirmação de Kevin Warsh para assumir a presidência da instituição.
Embora seu mandato como presidente se encerre em 15 de maio, Powell ainda possui mandato como membro do conselho até janeiro de 2028. Em declarações anteriores, ele indicou que sua permanência dependerá do que considerar mais adequado para a instituição.
Decisão de Juros do Banco Central do Brasil (BCB)O Banco Central do Brasil deve cortar 25 pontos-base na taxa Selic hoje, dando continuidade a um ciclo de afrouxamento monetário conduzido com cautela, em meio ao desafio de equilibrar uma inflação ainda pressionada com sinais de desaceleração da atividade econômica.
Na reunião anterior, o Comitê de Política Monetária surpreendeu parte do mercado ao reduzir a taxa de 15,00% para 14,75%, optando por um ajuste mais moderado do que o esperado, que projetavam um corte de 50 pontos-base. A decisão refletiu preocupações iniciais com a alta dos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, e seus possíveis efeitos inflacionários.
Para a reunião atual, a expectativa majoritária segue na mesma linha: 31 dos 35 economistas consultados pela Reuters projetavam um novo corte de 25 pontos-base, levando a Selic para 14,50%. Apenas uma minoria aposta em movimentos mais agressivos ou na manutenção da taxa.
O sinal predominante é de continuidade de uma postura prudente por parte do Copom, com comunicação possivelmente reforçando a necessidade de cautela diante da persistência inflacionária — especialmente após a recente deterioração dos núcleos e das expectativas de inflação.
No campo das projeções, as expectativas de inflação continuam pressionadas, com a mediana apontando para 4,86% neste ano e 4% no próximo — níveis acima do centro da meta. Já o crescimento econômico segue relativamente estável, com estimativas de PIB em torno de 1,8% para 2026 e 2027.
Olhando à frente, o cenário ainda aponta para mais um corte de 25 pontos-base na reunião de junho, segundo a maioria dos participantes de mercado. No entanto, o Banco Central deve evitar qualquer tipo de guidance firme, mantendo flexibilidade diante de um ambiente ainda incerto.
No cenário global, a preocupação com a estagflação ganhou força nas últimas semanas, à medida que os efeitos da guerra com o Irã sobre os preços de energia e cadeias produtivas passaram a lembrar, em certa medida, o choque do petróleo da década de 1970 — período marcado por crescimento fraco e inflação elevada.
Apesar disso, o Brasil apresenta algumas particularidades. O crescimento do PIB em 2026 tende a ser sustentado por medidas fiscais e parafiscais implementadas desde o ano passado, o que ajuda a mitigar os riscos de um cenário de estagnação econômica mais pronunciada.
Decisão de Juros do Federal Reserve (Fed)O Federal Reserve deve manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, em uma decisão amplamente esperada pelo mercado diante do atual ambiente de incerteza geopolítica e risco crescente de estagflação. A reunião ganha contornos ainda mais relevantes por marcar a última decisão sob a liderança de Jerome Powell, já que Kevin Warsh deverá suceder antes do próximo encontro de junho.
Com a taxa de juros devendo permanecer inalterada, o foco dos traders se desloca para a comunicação do Fed, especialmente a declaração de política monetária, o gráfico de pontos (dot plot) e as projeções atualizadas de inflação, crescimento, desemprego e juros.
O cenário atual é marcado por elevada incerteza. Economistas destacam que os impactos econômicos — tanto nos Estados Unidos quanto globalmente — dependem de fatores ainda indefinidos, como a duração da guerra no Oriente Médio, a estabilidade política no Irã e, principalmente, a trajetória dos preços do petróleo. Caso o barril permaneça acima de US$ 100, as pressões inflacionárias tendem a se intensificar; por outro lado, um recuo para níveis pré-conflito, abaixo de US$ 80, poderia aliviar parte dessas tensões.
Os efeitos já começam a aparecer na economia real. O preço médio da gasolina nos EUA alcançou US$ 3,79 por galão, uma alta superior a 25% em relação ao período anterior ao conflito. Setores como o de aviação já alertam para o aumento dos custos operacionais, enquanto autoridades americanas buscam alternativas para insumos estratégicos, como fertilizantes.
Para o Fed, o desafio tornou-se mais complexo: o cenário que antes combinava crescimento resiliente e inflação em desaceleração agora dá lugar a uma disputa entre pressões inflacionárias crescentes e riscos de desaceleração econômica.
Segundo Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, o momento favorece uma mudança clara nas projeções para um cenário estagflacionário. A expectativa é de inflação e desemprego mais altos, combinados com crescimento mais fraco, além de uma maior divisão entre os membros do Fed sobre os próximos passos da política monetária.
Nesse contexto, o “dot plot” pode revelar uma autoridade monetária dividida: de um lado, dirigentes que defendem cortes de juros para sustentar o mercado de trabalho; de outro, membros mais conservadores que podem até considerar novas altas de juros caso a inflação volte a acelerar.
Os dados econômicos recentes já mostravam um caminho obscuro mesmo antes do conflito no Oriente Médio. A inflação segue acima da meta de 2%, com projeções apontando para níveis persistentemente elevados, enquanto o mercado de trabalho começa a mostrar sinais de enfraquecimento — com a perda de 92 mil empregos em fevereiro.
Diante disso, os mercados passaram a revisar suas expectativas. Atualmente, os contratos futuros indicam apenas um corte de 25 pontos-base em setembro e outro apenas no final de 2027, um ritmo significativamente mais lento do que o anteriormente projetado — e distante do desejo de Donald Trump por juros mais baixos.
A decisão desta semana, portanto, não deve trazer mudanças imediatas na taxa, mas será determinante para sinalizar se o Fed passa a adotar uma postura de “duas vias”, onde o próximo movimento pode ser tanto um corte quanto uma alta, dependendo da evolução dos riscos inflacionários e do crescimento econômico.
USNFP: Um movimento curioso no gráfico de criação de empregos doO gráfico USNFP representa o indicador Non-Farm Payrolls dos Estados Unidos, que mede a quantidade de empregos criados na economia americana, excluindo o setor agrícola. Esse dado é divulgado mensalmente e costuma ser acompanhado de perto por analistas, investidores e formuladores de política econômica, pois oferece uma leitura rápida sobre o ritmo de atividade do mercado de trabalho.
• Recessão da década de 80. Foi um período de forte desaceleração econômica nos Estados Unidos, marcado por juros muito altos e queda na atividade, o que impactou diretamente o mercado de trabalho. É o primeiro evento histórico destacado no gráfico.
• Guerra do Golfo. Conflito ocorrido no início da década de 90 que trouxe instabilidade econômica e energética, afetando expectativas de crescimento e emprego naquele período.
• Bolha da internet. No início dos anos 2000 houve forte especulação em empresas de tecnologia, seguida de um colapso do mercado. Esse movimento também refletiu em enfraquecimento no mercado de trabalho.
• Crise financeira de 2008. Um dos episódios econômicos mais marcantes das últimas décadas, iniciado no setor imobiliário e que rapidamente se espalhou pelo sistema financeiro global, gerando forte perda de empregos.
• Pandemia de 2020. Um choque econômico abrupto provocado pelas restrições sanitárias globais, que afetou rapidamente o mercado de trabalho e a atividade econômica.
• ???
O gráfico pode estar nos alertando para algo?
A importância desse indicador está no fato de que o emprego é um dos pilares da economia. Quando a criação de vagas é forte, tende a indicar crescimento econômico e maior consumo. Quando o número decepciona ou apresenta quedas inesperadas, pode sugerir desaceleração econômica ou mudanças no ciclo econômico. Por isso, o Non-Farm Payrolls costuma impactar mercados financeiros globais, expectativas de juros e decisões de política monetária.
Observando o gráfico ao longo do tempo, alguns movimentos chamam atenção, especialmente quedas abruptas que aparecem em determinados momentos históricos. Mais recentemente, o dado voltou a apresentar um valor negativo que levanta curiosidade sobre o que esse comportamento pode representar. Não sou especialista na leitura desse tipo de indicador e não estou afirmando que ele esteja antecipando qualquer evento econômico. A intenção aqui é apenas compartilhar a observação e provocar reflexão. Quem tiver uma leitura mais aprofundada desse tipo de gráfico, fique à vontade para contribuir com interpretações e pontos de vista, sempre de forma respeitosa e construtiva.
Disclaimer : Esta análise tem fins exclusivamente educacionais e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Faça sempre sua própria avaliação antes de investir.
Decisão de Juros do Banco Central Europeu (BCE)O Banco Central Europeu (BCE) deve manter suas taxas de juros inalteradas pela quinta reunião consecutiva, em um contexto de inflação sob controle e crescimento econômico moderado na zona do euro.
As principais taxas devem permanecer nos níveis atuais: 2,15% para a taxa de refinanciamento, 2,00% para a facilidade de depósitos e 2,40% para a taxa overnight utilizada pelo sistema bancário.
Sem sinais de urgência para ajustes na política monetária, os dirigentes do BCE seguem confortáveis com o atual patamar dos juros, especialmente após a revisão para cima das projeções de crescimento na última reunião — movimento interpretado pelo mercado como um reforço do viés de estabilidade.
Em declarações recentes, o economista-chefe da instituição, Philip Lane, afirmou que, caso a economia evolua conforme o cenário-base, é improvável que haja mudanças nas taxas no curto prazo. Inclusive, o mercado não precifica alterações nos juros ao longo de 2026.
Em comunicado, o próprio BCE destacou que “considerando a orientação de médio prazo do Conselho, a atual precificação das taxas de juros no mercado é consistente com as decisões mais recentes e está alinhada à função de reação do Conselho do BCE”.
A inflação, principal variável monitorada pela autoridade monetária, tem oscilado em torno da meta de 2% ao longo do último ano, e as projeções indicam que deve permanecer próxima desse nível nos próximos períodos.
Embora seja esperada uma leve queda nos preços da energia ao longo deste ano, a inflação doméstica segue relativamente elevada, sustentada pelo forte crescimento salarial. Esse fator reforça a avaliação de que a inflação deve convergir de forma duradoura para a meta apenas à medida que os efeitos desinflacionários da energia se dissipem dos índices ao longo do tempo.
Decisão de Juros do Banco da Inglaterra (BoE)O Banco da Inglaterra (BoE) deve manter a taxa básica de juros em 3,75% nesta quinta-feira, com o presidente da instituição, Andrew Bailey, e os demais membros do Comitê de Política Monetária (MPC) optando por preservar a flexibilidade diante de um cenário inflacionário ainda incerto.
Embora o mercado projete que os juros britânicos comecem a cair ao longo de 2026, o banco central deve evitar qualquer sinalização clara nesta reunião sobre quando ou em que ritmo os cortes ocorrerão, aguardando maior clareza sobre a trajetória da inflação.
Atualmente, o Reino Unido possui os custos oficiais de empréstimo mais elevados entre as principais economias desenvolvidas, apesar de seis cortes nas taxas desde meados de 2024. Novas reduções poderiam aliviar a pressão sobre uma economia que segue estagnada e dar suporte à agenda econômica do primeiro-ministro Keir Starmer e da ministra das Finanças, Rachel Reeves.
No entanto, a inflação permanece como o principal obstáculo. Em dezembro, o índice de preços ao consumidor avançou 3,4%, o patamar mais alto entre os países do G7 e ainda distante da meta de 2% do BoE. Parte dos formuladores de política monetária temem que a recente desaceleração do crescimento salarial possa se mostrar temporária, apesar do aumento do desemprego.
Nesta reunião, o banco terá acesso aos resultados de uma pesquisa anual de remuneração, que vem sendo acompanhada de perto. A integrante do MPC, Megan Greene, afirmou no mês passado estar preocupada com dados preliminares que indicam reajustes salariais próximos de 3,5% em 2026, acima do nível de cerca de 3% considerado compatível com a meta de inflação.
Bailey também ressaltou recentemente que o BoE está “muito atento” aos riscos geopolíticos e tarifários, citando as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, incluindo ameaças relacionadas à tentativa de aquisição da Groenlândia.
Sinais iniciais de melhora na confiança de consumidores e empresas, apesar do pacote de aumento de impostos presente dentro do orçamento apresentado por Reeves em 26 de novembro, podem reforçar a abordagem cautelosa adotada pelo banco central.
As expectativas do mercado apontam para um placar de 7 votos a 2 pela manutenção dos juros. Em dezembro, o MPC havia aprovado um corte por uma margem apertada de 5 a 4, marcando a quarta redução de 0,25 ponto percentual em 2025. Desde então, a maioria dos membros sinalizou que o ritmo de afrouxamento monetário deve ser mais gradual.
Diante desse cenário, economistas esperam poucas alterações nas projeções econômicas do BoE, que em novembro indicavam inflação próxima de 2% em dois e três anos.
Assim, o principal foco dos traders estará em eventuais mudanças no tom da comunicação, tanto no comunicado oficial, divulgado às 9h (horário de Brasília), quanto na coletiva de imprensa de Andrew Bailey, com início previsto para 9h30.
Para Sanjay Raja, economista-chefe do Deutsche Bank no Reino Unido, “a taxa básica de juros deve ser reduzida duas vezes este ano, mas o momento desses cortes tornou-se cada vez mais incerto”. Segundo ele, a projeção atual aponta para cortes em março e junho, embora ambos possam ser adiados.
Decisão de Juros do Banco Central do Brasil (BCB)O Banco Central do Brasil deverá manter a taxa Selic em 15% na reunião desta quarta-feira, pela quinta vez consecutiva, segundo 92% dos economistas consultados pela Reuters. Entre as demais estimativas, 5% projetam um corte de 25 pontos-base, para 14,75%, enquanto 3% apostam em uma redução mais agressiva de 50 pontos-base, para 14,50%.
Apesar da expectativa majoritária de manutenção nesta reunião, o mercado já precifica o início do ciclo de flexibilização monetária em março. Cerca de 83% dos analistas acreditam que o primeiro corte ocorrerá no próximo encontro, com 53% atribuindo maior probabilidade a uma redução de 50 pontos-base, e 47% a um corte de 25 pontos-base.
Caso confirmado, esse movimento marcaria a primeira redução da Selic desde maio de 2024, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) adotou uma postura claramente restritiva, elevando o custo do crédito e mantendo os juros em patamar elevado como resposta ao avanço da inflação.
Segundo relatório do Citi, “a queda nas expectativas de inflação, a desaceleração da inflação corrente e nossa expectativa de continuidade desse processo criam espaço para que o Copom inicie o ciclo de cortes em março.”
A inflação anual encerrou o ano passado em 4,26%, reforçando a trajetória de desaceleração e ficando abaixo do teto de 4,5% da meta, cujo centro é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Diante desse cenário, cresce a expectativa de que o Copom introduza ajustes sutis no comunicado que acompanha a decisão desta semana, preparando o terreno para cortes futuros. Os trechos mais monitorados pelos traders incluem:
a referência a uma “política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, especialmente o termo “bastante”;
e a afirmação de que o BC “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.
A remoção ou suavização dessas expressões pode ser interpretada como um sinal claro de flexibilização iminente, aumentando a convicção do mercado quanto ao início do ciclo de cortes.
No campo macroeconômico, as projeções indicam crescimento do PIB de 1,8% em 2026, abaixo da estimativa de 2,3% para 2025, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva. Para a inflação, a expectativa é de IPCA em torno de 4%, enquanto a Selic poderia encerrar o ano em 12,5%.
O principal desafio do Banco Central permanece sendo o equilíbrio entre o processo de desinflação e o ambiente fiscal e político. Medidas recentes de estímulo ao consumo, adotadas no final de 2025 e início de 2026, ampliam os riscos de desancoragem inflacionária, especialmente em um contexto de corrida eleitoral, com o presidente Lula buscando um quarto mandato.
No mês passado, o governo autorizou que 14 milhões de trabalhadores demitidos sacassem R$ 7,8 bilhões de um fundo público de seguro-desemprego, medida que adiciona estímulo à demanda no curto prazo e complica a tarefa do Copom de manter a inflação sob controle enquanto inicia, de forma cautelosa, o ciclo de cortes.
Decisão de Juros do Federal Reserve (Fed)O Federal Reserve deverá manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, patamar que, segundo a sinalização atual, deve ser preservado ao menos até junho, já sob o comando do sucessor de Jerome Powell. Nesta reunião, não haverá divulgação de novas projeções econômicas.
Os dados mais recentes, divulgados no início de dezembro, indicaram pouca alteração nas tendências do mercado de trabalho e da inflação, oferecendo sinais limitados para um eventual corte de juros no curto prazo. O crescimento do emprego segue moderado, enquanto a taxa de desemprego recuou para 4,4% em dezembro, em meio a um cenário de atividade econômica resiliente e consumo robusto.
No campo inflacionário, o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) — métrica preferida do Fed — registrou alta anual de 2,8% em novembro, ligeiramente acima do esperado e ainda distante da meta de 2%, reforçando a postura cautelosa da autoridade monetária.
Na coletiva de imprensa pós-decisão, a expectativa é que Powell dê menos ênfase ao debate imediato sobre juros e concentre suas declarações nos eventos institucionais ocorridos entre as reuniões. Entre eles, destaca-se o recebimento de uma intimação do Departamento de Justiça dos EUA e a ameaça de abertura de investigação criminal contra o presidente do Fed, além da resposta de Powell em uma declaração em vídeo incomum, na qual classificou o episódio como parte de uma campanha de pressão do presidente Donald Trump por cortes de juros.
Na semana passada, a Suprema Corte dos Estados Unidos realizou uma audiência sobre a tentativa de Trump de destituir a diretora do Fed, Lisa Cook. Embora o tom dos ministros tenha reduzido as preocupações sobre riscos imediatos à independência do banco central — com a maioria demonstrando inclinação a manter Cook no cargo —, o episódio serviu como um lembrete do desejo declarado de Trump de ampliar sua influência sobre o Conselho de Governadores, além do ritmo normal de rotação de mandatos.
Atualmente, o nome indicado por Trump para suceder Powell ocuparia uma vaga de Stephen Miran, que substituiu Adriana Kugler em setembro e cujo mandato se encerra em 31 de janeiro. Caso não haja renúncia ou destituição adicional, a próxima vaga disponível seria justamente a de Powell, que, mesmo deixando a presidência, pode permanecer como governador do Fed por mais dois anos, o que poderia frustrar os planos de Trump.
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Trump afirmou estar próximo de decidir quem indicará para a presidência do Fed, mas ponderou que “o problema é que eles mudam assim que assumem o cargo”, em referência à independência institucional dos presidentes do banco central.
Diante desse cenário — marcado por pressões políticas, incertezas institucionais e disputas jurídicas —, o debate estritamente técnico sobre a política monetária acaba ficando em segundo plano. A iminente decisão judicial envolvendo Lisa Cook, a possibilidade de Powell permanecer no Conselho e a futura confirmação pelo Senado do próximo presidente do Fed concentram grande parte da atenção dos mercados, reforçando o prêmio de risco institucional nos ativos americanos.
Decisão de Juros do Banco do Canadá (BoC)O Banco do Canadá (BoC) deve manter a taxa básica de juros inalterada em 2,25% nesta quarta-feira, mas economistas e mercados financeiros seguem divididos quanto à trajetória da política monetária ao longo de 2026, em meio ao aumento das incertezas econômicas e comerciais.
Desde dezembro, os mercados passaram a precificar a possibilidade de retomada do ciclo de alta, após uma longa pausa ao longo de 2025. Parte dos economistas, no entanto, contesta esse movimento, destacando o elevado grau de incerteza em torno das futuras renegociações do acordo de livre comércio Estados Unidos–México–Canadá (USMCA), fator que pode limitar a atuação do banco central.
Em outubro, após reduzir a taxa em 25 pontos-base, o BoC sinalizou que o juro básico já se encontrava em um nível apropriado, com a inflação ainda dentro da meta. Para cerca de 75% dos economistas consultados pela Reuters, o banco deve manter as taxas estáveis em 2026, embora uma parcela relevante projete algum grau de afrouxamento monetário ao longo do ano, seguido por eventual retomada de alta no último trimestre.
Em 2025, o BoC acumulou cortes de 100 pontos-base, levando os juros para o limite inferior da faixa neutra, na qual a política monetária não estimula nem restringe a atividade econômica. Ainda assim, alguns traders avaliam que, para que a política se torne efetivamente estimulativa, as taxas precisariam cair abaixo da banda neutra.
Segundo Doug Porter, economista-chefe do BMO Capital Markets, o ambiente de incerteza comercial elevada, combinado com a alta da taxa de desemprego, favorece um cenário em que o BoC seja levado a cortar juros para níveis abaixo do neutro, com o objetivo de reativar a economia.
Pesquisas recentes conduzidas pelo próprio Banco do Canadá indicam que o sentimento empresarial permanece moderado, em meio às tensões comerciais, enquanto os consumidores demonstram preocupação com o emprego e o endividamento. Ainda assim, os dados macroeconômicos mostram que o impacto das tarifas tem sido concentrado em setores específicos — como aço, alumínio, madeira e automotivo —, sem efeitos sistêmicos relevantes até o momento. A inflação segue relativamente estável, o crescimento econômico é modesto e a geração de empregos foi sólida entre setembro e novembro.
O Banco do Canadá anunciará sua decisão de política monetária em 29 de janeiro, às 10h45 (horário de Brasília). Na mesma ocasião, divulgará o Relatório Trimestral de Política Monetária (MPR), retomando a prática de apresentar projeções pontuais para crescimento e inflação. O relatório também deve trazer uma avaliação atualizada sobre os impactos do orçamento federal na dinâmica macroeconômica do país.
OS JUROS NÃO CAEM MAIS, JÁ ESTAMOS EM DOMINÂNCIA FISCAL"OS JUROS NÃO IRÃO CAIR, JÁ ESTAMOS EM DOMINÂNCIA FISCAL"
OS JUROS NÃO CAEM MAIS, JÁ
ESTAMOS EM DOMINÂNCIA FISCAL
Relatório de Inteligência Macroeconômica: A Dicotomia do
Crescimento sob Juros Restritivos e o Risco de Dominância Fiscal
Data: 15 de Janeiro de 2026
Assunto: Análise Estrutural dos Dados de Varejo de Novembro/2025, Dinâmica Inflacionária e
Cenário Fiscal para o Ano Eleitoral de 2026.
1. Sumário Executivo e Tese Central
A divulgação dos resultados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, marca
um ponto de inflexão na análise da conjuntura econômica nacional. Os dados revelam um
crescimento de 1,0% no volume de vendas do varejo restrito em novembro de 2025 na
comparação com outubro, e uma expansão de 1,3% na comparação interanual.1 Este
desempenho, significativamente acima da mediana das expectativas de mercado — que
projetava uma alta modesta de 0,30% na margem 2 — consolida uma narrativa que desafia a
ortodoxia dos modelos de transmissão da política monetária: a economia brasileira apresenta
uma resistência estrutural ao ciclo de aperto monetário, mantendo o consumo aquecido
mesmo diante de uma Taxa Selic estacionada em patamares contracionistas de 15,00% ao
ano.5
A tese central deste relatório é que o Brasil atravessa um fenômeno de "imunização parcial"
aos juros. Esta imunização é sustentada por três pilares interconectados que neutralizam o
efeito da política monetária: (1) um canal de renda historicamente robusto, com desemprego
em mínimas de 5,2% e massa salarial recorde, que se sobrepõe ao canal de crédito; (2) um
efeito riqueza perverso derivado do rentismo, onde as taxas de juros elevadas transferem
renda para as classes de maior poder aquisitivo, sustentando o consumo de bens e serviços
premium; e (3) um impulso fiscal expansionista em ano eleitoral, materializado no Orçamento
de 2026 recém-sancionado com R$ 61 bilhões em emendas parlamentares.7
Este cenário coloca o Banco Central do Brasil em uma encruzilhada complexa. A convergência
da inflação para a meta de 3,0% torna-se uma tarefa de Sísifo, onde o esforço monetário é
constantemente compensado pela expansão fiscal e pela inércia dos preços de serviços. O
risco de dominância fiscal — momento em que a política monetária perde a capacidade de
controlar o nível de preços devido à insustentabilidade da dívida pública — deixa de ser uma
hipótese teórica remota para figurar como um cenário de cauda com probabilidade crescente
nas avaliações de risco para o final da década.
Ao longo deste documento, dissecaremos as minúcias dos dados setoriais do varejo, a
dinâmica inflacionária subjacente, as pressões do calendário eleitoral sobre as contas
públicas e as implicações desse "novo normal" de juros altos para a alocação de capital e a
estratégia macroeconômica.
2. Anatomia do Varejo em Novembro de 2025:
Resiliência e Heterogeneidade
A análise granular dos dados da PMC de novembro de 2025 oferece insights profundos sobre
o comportamento do consumidor brasileiro e a eficácia das promoções sazonais em um
ambiente de crédito caro.
2.1. O Desempenho Agregado e a Quebra de Expectativas
O avanço de 1,0% no volume de vendas do varejo restrito em novembro, após uma alta de
0,5% em outubro 2, sinaliza uma reaceleração da atividade no quarto trimestre de 2025.
Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, destaca que este é o segundo mês
consecutivo de crescimento consistente, rompendo com o padrão de estabilidade (variações
próximas de zero) observado entre abril e setembro de 2025.1
Este resultado surpreendeu o mercado, cujas projeções coletadas pela Reuters apontavam
para uma alta de apenas 0,30% na margem e 0,20% na comparação anual.2 O fato de o
resultado real (1,3% anual) ter superado em mais de seis vezes a expectativa anual indica um
erro sistemático nos modelos econométricos dos analistas, que provavelmente
superestimaram o impacto restritivo dos juros de 15% sobre a propensão marginal a consumir
das famílias.
Além disso, o patamar de vendas de novembro de 2025 situa-se 11% acima do nível
pré-pandemia (fevereiro de 2020) 9, evidenciando que o varejo não apenas recuperou as
perdas passadas, mas estabeleceu um novo piso de atividade, sustentado por mudanças
estruturais na renda e no emprego.
2.2. A Influência da "Black Friday" e a Elasticidade-Preço
O desempenho de novembro foi fortemente influenciado pelas promoções da Black Friday.
Segundo o IBGE, esta foi a "melhor promoção desde 2021".1 Este dado é crucial para
entender a psicologia do consumidor atual: ele é altamente sensível a preços e oportunidades
de desconto, mas possui liquidez para aproveitar essas ofertas.
A elasticidade-preço da demanda manifestou-se com clareza no setor de Equipamentos e
material para escritório, informática e comunicação, que registrou um salto de 4,1% na
comparação mensal e impressionantes 9,9% na comparação anual.10 Este comportamento
sugere que, embora o crédito seja caro, as famílias acumularam poupança ou utilizaram a
renda corrente (13º salário e bônus) para adquirir bens duráveis de tecnologia quando o
preço se tornou atrativo. A estratégia dos varejistas de sacrificar margem para girar estoque
encontrou uma demanda reprimida pronta para agir.
2.3. Análise Setorial: Vencedores e Perdedores
A dispersão dos resultados entre as oito atividades pesquisadas pelo IBGE revela a dicotomia
econômica mencionada anteriormente. Sete das oito atividades registraram alta na margem,
o que denota um crescimento disseminado e não apenas concentrado em nichos
específicos.1
Tabela 1: Desempenho Detalhado do Varejo (Novembro 2025)
📋 Desempenho Detalhado do Varejo – Novembro 2025
Varejo Restrito (Total)
Variação mensal (Nov/Out): +1,0%
Variação anual (Nov25/Nov24): +1,3%
Dinâmica: Forte tração impulsionada por renda e promoções.
Equipamentos e Material de Escritório/Informática
Variação mensal: +4,1%
Variação anual: +9,9%
Dinâmica: Efeito Black Friday; alta elasticidade a descontos; demanda reprimida.
Móveis e Eletrodomésticos
Variação mensal: +2,3%
Variação anual: +5,2%
Dinâmica: Recuperação pontual; uso de crediário próprio das lojas e cartões.
Artigos Farmacêuticos, Médicos e Perfumaria
Variação mensal: +2,2%
Variação anual: +7,2%
Dinâmica: Demanda inelástica; envelhecimento populacional; setor defensivo.
Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico
Variação mensal: +2,0%
Variação anual: +4,7%
Dinâmica: Inclui lojas de departamento e vendas online; forte correlação com e-commerce.
Livros, Jornais, Revistas e Papelaria
Variação mensal: +1,5%
Variação anual: +5,9%
Dinâmica: Recuperação de base fraca; sazonalidade de material escolar antecipada.
Hiper e Supermercados, Alimentos, Bebidas
Variação mensal: +1,0%
Variação anual: +1,0%
Dinâmica: Vetor principal: massa salarial e transferências de renda (Bolsa Família).
Combustíveis e Lubrificantes
Variação mensal: +0,6%
Variação anual: N/A
Dinâmica: Mobilidade urbana normalizada; correlação com atividade de serviços.
Tecidos, Vestuário e Calçados
Variação mensal: -0,8%
Variação anual: Negativo
Dinâmica: Único setor em queda; substituição de gastos por bens duráveis na Black Friday.
Fonte: Consolidação de dados IBGE e Broadcast.1
O setor de Hiper e Supermercados, com alta de 1,0% 1, é o fiel da balança. Representando
mais de 50% do peso do índice, seu crescimento é prova cabal de que a restrição monetária
não atingiu o consumo de bens essenciais. A trégua na inflação de alimentos em domicílio 1
aumentou o poder de compra real das famílias de baixa renda, que destinam a maior parte do
orçamento a esta categoria.
Por outro lado, o recuo de 0,8% em Tecidos, Vestuário e Calçados 10 pode ser interpretado
como um efeito substituição: diante do orçamento restrito e das promoções agressivas em
eletrônicos e eletrodomésticos, as famílias adiaram a renovação do guarda-roupa para
priorizar bens de maior valor agregado ofertados com desconto.
2.4. O Varejo Ampliado e a Sensibilidade aos Juros
A análise do Varejo Ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, oferece a
evidência mais clara do impacto dos juros de 15%. O índice geral ampliado cresceu 0,7% na
margem 12, impulsionado pelo varejo restrito, mas os componentes sensíveis ao crédito
mostram fraqueza estrutural.
● Veículos, motos, partes e peças: Registrou queda de 0,2% na margem e um recuo
profundo de 5,8% na comparação anual.9 Este é o setor onde a política monetária
"morde". O financiamento de veículos (CDC) é extremamente sensível à taxa de juros.
Com a Selic a 15%, o custo final ao consumidor supera frequentemente 2,5% ao mês,
inviabilizando a renovação de frota para a classe média típica. A queda de 5,8% em 12
meses confirma que o ciclo de bens duráveis de alto valor financiado está travado.
● Material de Construção: Apresentou alta de 0,8% na margem, mas queda de 3,0% na
comparação anual.9 A leve recuperação mensal pode estar ligada a pequenas reformas
de fim de ano (pagas com 13º salário), mas a queda anual reflete o desaquecimento do
mercado imobiliário e a retração nos financiamentos para construção e reforma.
2.5. Disparidades Regionais
A recuperação do varejo não é uniforme geograficamente. Dados do IBGE mostram que o
crescimento ocorreu em 23 das 27 unidades da federação na comparação mensal. Destaque
para Rondônia (+9,2%), Roraima (+4,5%) e Espírito Santo (+4,3%).11
Esses outliers positivos, especialmente na região Norte, podem estar correlacionados com a
dinâmica do agronegócio e mineração, além de transferências de renda federais que têm
peso desproporcional nessas economias locais. Em contraste, estados mais industrializados
ou dependentes de serviços urbanos, como o Rio de Janeiro (-0,7%), apresentaram
desempenho mais fraco, refletindo as dificuldades fiscais locais e a dinâmica do mercado de
trabalho metropolitano. No Paraná, o varejo acumulou alta de 2,4% no ano, acima da média
nacional, impulsionado por eletrodomésticos (+14,5%) 13, sugerindo uma economia regional
mais resiliente.
3. O Paradoxo da Renda e a Ineficácia da Transmissão
Monetária
A persistência do crescimento do varejo em um ambiente de juros reais ex-ante próximos de
9,5% (Selic de 15% menos inflação esperada de 4,06%) exige uma explicação teórica robusta.
Por que a política monetária não está contendo a demanda agregada conforme previsto nos
modelos do Banco Central?
3.1. O Canal da Renda Sobrepuja o Canal do Crédito
A explicação primordial reside na força extraordinária do mercado de trabalho. A taxa de
desemprego caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025, a menor da série
histórica do IBGE.14 Mais do que a quantidade de empregos, a qualidade da renda melhorou
em termos agregados.
A massa de rendimento real habitual atingiu o recorde de R$ 363,7 bilhões, com crescimento
de 5,8% no ano e 2,5% no trimestre.15 Isso significa que há uma injeção líquida de quase R$
20 bilhões a mais na economia em comparação com o ano anterior, proveniente apenas do
trabalho.
Esse volume colossal de renda nova entra na economia com alta velocidade de circulação.
Diferentemente do crédito, que depende da confiança e do custo do dinheiro, a renda do
trabalho é convertida quase imediatamente em consumo, especialmente nas faixas de renda
média e baixa. O varejo de supermercados e farmácias é o principal beneficiário desse fluxo.
O consumidor não precisa se endividar para comprar; ele usa o salário valorizado acima da
inflação.
3.2. Pleno Emprego e Pressão Salarial
O nível de 5,2% de desemprego sugere que a economia brasileira opera acima do seu nível de
pleno emprego (NAIRU), gerando pressões salariais. O rendimento médio real habitual
cresceu 4,5% no ano, atingindo R$ 3.574.15
Essa dinâmica cria um ciclo de retroalimentação: empresas contratam para atender a
demanda; a escassez de mão de obra eleva os salários; salários maiores aumentam o
consumo; o consumo sustenta as vendas das empresas. A política monetária, atuando apenas
sobre o custo do capital, tem dificuldade em romper esse ciclo inercial de renda-consumo
sem causar um choque recessivo muito mais profundo, o que o Banco Central tem evitado até
o momento.
3.3. O Efeito Riqueza do Rentismo (O "Hedge" das Classes Altas)
Um aspecto frequentemente subestimado é o efeito distributivo dos juros altos. Com a Selic a
15%, o Brasil oferece um dos maiores retornos reais do mundo para o capital financeiro. As
famílias detentoras de patrimônio líquido investido em renda fixa (CDI, Tesouro Selic,
LCIs/LCAs) experimentam um aumento significativo em sua renda disponível sem necessidade
de esforço produtivo adicional.
Esse fenômeno, conhecido como "efeito renda do rentismo", sustenta o consumo das classes
A e B. Isso explica a resiliência do setor de serviços de alto padrão e do mercado de luxo, que
continua crescendo concentrado em marcas exclusivas (BMW, Mercedes-Benz, Volvo detêm
66% do mercado premium).16 Enquanto a classe média baixa sofre com o encarecimento do
f
inanciamento do carro popular, a classe alta compra veículos premium à vista ou com taxas
subsidiadas pelas montadoras, utilizando os rendimentos de suas aplicações financeiras.
Essa bifurcação do consumo ("K-shaped recovery") dilui a eficácia da política monetária, pois
uma parcela relevante da demanda (a de alta renda) torna-se positivamente correlacionada
com a alta de juros, ao invés de negativamente.
3.4. A Dinâmica do Crédito: Inadimplência vs. Concessão
Embora o crédito esteja caro, ele não desapareceu. O endividamento das famílias está
elevado, mas a concessão de crédito livre ainda mostra alguma vitalidade em linhas de curto
prazo. Contudo, a inadimplência começa a ser um sinal de alerta amarelo. Dados do Banco
Central mostram que a inadimplência da carteira de crédito livre para pessoas físicas subiu
para 6,3%, um avanço de 1,0 ponto percentual em doze meses.17
O aumento da inadimplência, paradoxalmente, convive com o aumento das vendas. Isso
sugere que as famílias estão priorizando o consumo corrente em detrimento do pagamento
de dívidas passadas, ou "rolando" o endividamento enquanto o mercado de trabalho permitir.
Bancos privados já adotam cautela na concessão 18, mas o impulso da renda tem sido
suficiente para manter a roda girando por enquanto.
4. A Inflação no "Último Quilômetro": Inércia e Difusão
A resiliência da atividade econômica cobra seu preço na dinâmica inflacionária. O Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2025 com alta acumulada de
4,26%.19 Embora dentro do intervalo de tolerância (teto de 4,50%), o índice está
desconfortavelmente acima da meta central de 3,00% e mostra sinais qualitativos
preocupantes para 2026.
4.1. O Salto no Índice de Difusão
O sinal de alerta mais estridente vem do índice de difusão — métrica que indica a
porcentagem de itens da cesta do IPCA que apresentaram aumento de preços. Este indicador
saltou de 56% em novembro para 60% em dezembro de 2025.20
Uma difusão de 60% indica que a inflação deixou de ser um problema de choques de oferta
pontuais (como uma quebra de safra afetando apenas alimentos) para se tornar um processo
generalizado de remarcação de preços. A difusão de itens não alimentícios, especificamente,
disparou de 49% para 65% 20, evidenciando que a pressão se espalhou para bens industriais
e serviços.
4.2. A Rigidez dos Serviços Subjacentes
A inflação de serviços, intimamente ligada ao hiato do produto e ao mercado de trabalho,
mostra-se resiliente. A média móvel de três meses dos núcleos de serviços subjacentes
acelerou para 5,1% anualizado em dezembro.21
Com o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 a partir de janeiro de 2026 (+6,78%) 22,
estabelece-se um novo piso nominal para os custos de serviços intensivos em mão de obra
(domésticos, reparos, beleza, alimentação fora do lar). Essa indexação salarial atua como um
mecanismo de realimentação inercial, dificultando a convergência da inflação para a meta de
3% sem uma desaceleração econômica que o atual cenário de pleno emprego não permite.
4.3. Expectativas Desancoradas
O mercado financeiro, captando esses sinais, mantém suas expectativas de inflação
desancoradas. O Boletim Focus projeta um IPCA de 4,06% para 2026 e 3,80% para 2027.23 O
fato de as expectativas de longo prazo (2027-2028) estarem estacionadas acima da meta
sugere uma falta de credibilidade na capacidade do Banco Central de entregar a inflação no
alvo, dada a pressão fiscal e a inércia da atividade. Esta desancoragem obriga o BC a manter
os juros mais altos por mais tempo, elevando o custo do desinflacionamento.
5. Dominância Fiscal e o Orçamento de 2026: O
Elefante na Sala
A discussão macroeconômica brasileira em 2026 é inevitavelmente gravitada pelo conceito de
Dominância Fiscal. Este fenômeno, teorizado por Sargent e Wallace, descreve uma situação
onde a política monetária perde a primazia no controle da inflação porque a política fiscal
torna-se insustentável. Se o mercado acredita que o governo não pagará sua dívida através
de superávits futuros, mas sim através de inflação (monetização), subir juros torna-se
contraproducente, pois apenas acelera o crescimento da dívida e o risco de calote,
depreciando o câmbio e gerando mais inflação.
5.1. O Orçamento Eleitoral e a Expansão de Gastos
A sanção do Orçamento de 2026 pelo Presidente Lula, ocorrida em 14 de janeiro, confirmou
os temores de uma política fiscal expansionista em ano eleitoral. O orçamento prevê
despesas totais de R$ 6,5 trilhões (incluindo rolagem da dívida) e, crucialmente, um volume
recorde de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares.7
Essas emendas, em grande parte impositivas, funcionam como uma injeção direta de liquidez
nas bases eleitorais (municípios), pulverizando recursos em obras e serviços locais. O efeito
multiplicador desses gastos é alto e ocorre justamente no período pré-eleitoral,
contrabalanceando o esforço contracionista da Selic.
Além disso, programas sociais como o Bolsa Família (R$ 158,6 bilhões) e o Pé-de-Meia (R$
11,47 bilhões) mantêm a renda das camadas mais baixas elevada 24, sustentando o consumo
básico que observamos nos dados do varejo.
5.2. A Meta Fiscal: Ficção vs. Realidade
Oficialmente, a meta fiscal para 2026 é de um superávit primário de 0,25% do PIB (aprox. R$
34,5 bilhões).24 Contudo, a credibilidade dessa meta é nula junto aos agentes de mercado. O
Boletim Focus projeta um déficit primário de 0,53% do PIB para 2026.25
A discrepância entre o discurso oficial e a projeção de mercado deve-se à prática recorrente
de excluir despesas do cálculo da meta (como os R$ 57 bilhões em precatórios) e à
superestimação de receitas. Economistas como Felipe Salto e Rafaela Vitória alertam que a
meta fiscal precisará ser alterada ou que o governo dependerá de receitas extraordinárias
incertas para fechar as contas.26
Essa falta de transparência e compromisso fiscal real corrói a âncora fiscal, elevando o
prêmio de risco embutido na curva de juros.
5.3. A Trajetória da Dívida e o Risco de Ruptura
A consequência aritmética de déficits primários recorrentes somados a juros reais elevados é
o crescimento explosivo da dívida pública. O economista-chefe da XP, Caio Megale, alerta
que "será difícil alcançar meta fiscal positiva em 2026" e que o país vive "à beira da
dominância fiscal".27
Projeções de mercado indicam que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) pode atingir 82%
do PIB ao final de 2026 e caminhar para 90% até 2028 se não houver correção de rota.28
Com a Selic a 15%, o custo de carregamento dessa dívida é proibitivo. O governo gasta cerca
de 7-8% do PIB apenas com o pagamento de juros nominais. Isso cria um círculo vicioso: o
risco fiscal eleva os juros neutros; juros altos pioram a dívida; a piora da dívida eleva o risco
f
iscal.
Economistas divergem se já estamos em dominância fiscal plena ou não 29, mas o
comportamento dos ativos — com a curva de juros longa abrindo taxas apesar da inflação
corrente "controlada" — sugere que o mercado opera sob a premissa de dominância fiscal
incipiente.
6. O Cenário Internacional: Ventos Contrários de
Washington
A complexidade doméstica é amplificada por um ambiente externo que deixou de ser
favorável. A expectativa de um ciclo agressivo de cortes de juros nos Estados Unidos foi
frustrada.
6.1. O "Fed" e a Geopolítica de Trump
O Federal Reserve enfrenta seu próprio dilema. Com a economia americana resiliente e a
inflação ainda acima da meta de 2%, a precificação de cortes de juros foi adiada. Bancos
como J.P. Morgan agora preveem manutenção de juros altos ou até altas futuras em cenários
extremos (2027), enquanto Goldman Sachs e Barclays adiaram a expectativa de cortes para
meados ou final de 2026.31
A tensão política entre Donald Trump e Jerome Powell adiciona volatilidade.32 A possibilidade
de interferência política no Fed ou de políticas fiscais expansionistas (cortes de impostos) nos
EUA mantém os Treasuries americanos pagando taxas atrativas.
6.2. Impacto no "Carry Trade" e no Câmbio
Para o Brasil, juros altos nos EUA (na faixa de 3,5% - 4,0% ou mais) reduzem o diferencial de
juros (carry trade). Embora a Selic de 15% ainda ofereça um prêmio robusto, o risco fiscal
brasileiro diminui a atratividade ajustada ao risco dessa operação.
Isso pressiona a taxa de câmbio. O dólar abriu o dia 15/01/2026 cotado a R$ 5,38, com
volatilidade.33 Um câmbio depreciado atua como mais um vetor inflacionário (via preços de
importados e combustíveis), limitando ainda mais o espaço de manobra do Banco Central do
Brasil.
7. Mercado Financeiro: Reação e Precificação
(15/01/2026)
A reação dos mercados financeiros aos dados de varejo e ao cenário orçamentário reflete a
cautela extrema dos investidores.
7.1. Inclinação da Curva de Juros (Steepening)
Observamos um movimento clássico de inclinação da curva de juros (DI Futuro).
● Parte Curta (2026-2027): As taxas operam estáveis ou com leve alta, precificando a
manutenção da Selic em 15% por um período prolongado (Higher for Longer). O
mercado abandonou as apostas de cortes no curto prazo.34
● Parte Longa (2029-2035): As taxas abriram significativamente. O Tesouro IPCA+ 2035
atingiu rendimento de IPCA + 7,66%, e o prefixado 2035 chegou a 13,69%.35
○ Interpretação: O prêmio de risco na parte longa reflete o temor de insolvência fiscal
ou de retorno da inflação descontrolada. Taxas reais acima de 7,5% são
historicamente associadas a períodos de crise aguda de confiança.
7.2. Bolsa de Valores e Setores
O Ibovespa renovou máxima histórica aos 165 mil pontos 36, mas esse número esconde uma
rotação setorial importante.
● Varejo Cíclico: Ações como Magazine Luiza e Casas Bahia tiveram alta no dia
impulsionadas pelo dado de curto prazo do varejo, mas sofrem estruturalmente com o
custo da dívida.
● Setor Financeiro e Alta Renda: Bancos (Itaú, Bradesco) e varejo de alta renda (Vivara)
mostram desempenho superior, beneficiando-se dos spreads altos e da resiliência do
consumo de luxo.
8. Perspectivas para a Política Monetária: O Que
Esperar do Copom?
Diante do quadro de atividade aquecida, inflação inercial e risco fiscal, a próxima reunião do
Copom (27 e 28 de janeiro de 2026) reveste-se de importância crítica.37
8.1. Cenários de Decisão
1. Cenário Base (Manutenção em 15,00%): É o consenso majoritário. O BC deve manter a
taxa inalterada, mas endurecer o comunicado (Hawk), explicitando que a convergência
da inflação está ameaçada pela política fiscal e pela atividade forte. A estratégia será
manter os juros restritivos por tempo indeterminado até que o hiato do produto abra ou
as expectativas reancorem.
2. Cenário de Risco (Elevação de Juros): Embora menos provável no curto prazo, a tese
de gestoras como a Adam Capital — que veem chance de Selic parada ou até subindo —
ganha força.38 Se o dólar disparar ou a inflação de serviços acelerar mais, o BC pode ser
forçado a dar um "choque de credibilidade" elevando a taxa, a despeito do custo
político.
8.2. A Narrativa da "Ineficácia"
O BC precisará endereçar a narrativa de que a política monetária "não funciona". A
comunicação deve enfatizar que a política está funcionando (vide setor de veículos e crédito
corporativo), mas que seus efeitos estão sendo mascarados pelo impulso fiscal e de renda. O
reconhecimento explícito da descoordenação entre política fiscal e monetária pode gerar
ruído político com o governo, mas é necessário para a transparência técnica.
9. Conclusão e Estratégia
O Brasil inicia 2026 sob o signo de um desequilíbrio macroeconômico perigoso: uma
economia que cresce impulsionada por gastos públicos e consumo das famílias, mas que
acumula desequilíbrios fiscais e inflacionários que cobram seu preço na taxa de juros.
Para investidores e gestores corporativos, a leitura é clara:
1. Não apostar contra o consumo no curto prazo: O varejo deve continuar
surpreendendo positivamente no primeiro semestre devido ao calendário eleitoral e à
renda forte.
2. Cautela extrema com a dívida pública: O risco de cauda fiscal é elevado. A proteção
em ativos reais ou indexados à inflação (IPCA+) de prazos curtos/médios é preferível a
prefixados longos.
3. Juros "Higher for Longer": Planejamentos financeiros devem assumir um custo de
capital (Selic) de dois dígitos por todo o horizonte de 2026. A era dos juros baixos
📊 Indicadores-Chave e Projeções – Brasil (Jan/26 → Final 2026)
💰 Selic
Atual: 15,00%
Projeção: 12,25%
Tendência: 🔼 Alta (manutenção em 14–15%)
📈 IPCA (Inflação 12m)
Atual: 4,26%
Projeção: 4,06%
Tendência: 🔼 Alta (serviços pressionados)
📊 PIB
Atual: N/A
Projeção: 1,80%
Tendência: 🔼 Alta (revisões para cima após varejo forte)
📉 Déficit Primário
Atual: -0,48% (2025)
Projeção: -0,53%
Tendência: ⚠️ Piora (gastos eleitorais)
💵 Dólar
Atual: R$ 5,38
Projeção: R$ 5,40+
Tendência: 🌪️ Volátil (risco fiscal)
Decisão de Juros do Banco Central Europeu (BCE)O Banco Central Europeu (BCE) deverá manter as taxas de juros inalteradas pela quarta reunião consecutiva nesta quinta-feira, prolongando um raro período de estabilidade monetária em meio a inflação sob controle e crescimento econômico moderado na zona do euro.
As principais taxas devem permanecer nos níveis atuais: 2,15% para a taxa de refinanciamento, 2,00% para a facilidade de depósitos e 2,40% para a taxa overnight utilizada pelo sistema bancário.
Após reduzir os juros em cerca de dois pontos percentuais até junho deste ano, o BCE atingiu o que considera a taxa neutra — nível que não estimula nem restringe a atividade econômica. Com a inflação próxima da meta de 2%, o banco central sinaliza não haver urgência em novos ajustes na política monetária no curto prazo.
No entanto, o mercado foi surpreendido no início da semana passada por um movimento abrupto de alta nos custos de financiamento, após a integrante do Conselho do BCE, Isabel Schnabel, afirmar que o próximo passo da autoridade monetária poderia ser um aumento de juros — e não um corte, como parte do mercado ainda especulava.
Na curva de juros, o mercado passou a precificar apenas um corte residual na segunda metade de 2026, ao mesmo tempo em que surgem apostas de elevação das taxas no início de 2027, impulsionadas principalmente pela perspectiva de maior expansão fiscal na Alemanha.
Apesar disso, analistas alertam que a posição de Schnabel pode não refletir o consenso dentro do BCE. Um euro mais forte e políticas comerciais agressivas por parte da China podem gerar um impulso deflacionário adicional para a economia europeia, forçando o banco central a adotar uma postura mais cautelosa adiante.
Para Bruno Cavalier, da Oddo, os comentários de Schnabel parecem ter como objetivo reduzir o apoio à ala que ainda defende cortes adicionais. Segundo ele, é improvável que as novas projeções do BCE, preparadas para a reunião de 18 de dezembro, retratem uma economia da zona do euro próxima de um cenário de superaquecimento.
Esse diagnóstico é reforçado pelos dados recentes da Alemanha, onde a confiança empresarial recuou inesperadamente em dezembro, evidenciando as dificuldades persistentes da maior economia europeia em retomar um crescimento mais consistente.
No mercado cambial, a atenção dos traders permanece voltada para a trajetória do euro. A valorização da moeda reduz o custo das importações, intensificando pressões deflacionárias e, ao mesmo tempo, prejudicando a competitividade das exportações.
O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, afirmou em julho que o banco central poderia tolerar uma apreciação do euro até a região de US$ 1,20, mas reconheceu que níveis acima disso tornariam o cenário “muito mais complicado” do ponto de vista da política monetária.
Para Simon Wells, do HSBC, uma valorização adicional no euro a partir dos níveis atuais poderia, por si só, justificar um novo afrouxamento monetário.
Esse risco cambial também se estende à atividade econômica. Em setembro, o membro do BCE Martin Kocher afirmou que a taxa de câmbio ainda não representava um problema, mas reconheceu que uma valorização adicional poderia se tornar prejudicial para os exportadores. Mais recentemente, Martins Kazaks (BCE) destacou que tanto o câmbio quanto os fluxos comerciais com a China figuram entre os principais riscos para o horizonte da política monetária.
Para Carsten Brzeski, do ING, o cenário-base segue sendo de manutenção das taxas, mas a probabilidade de um ou dois cortes adicionais entre agora e o verão europeu do próximo ano permanece elevada. Segundo ele, a evolução da economia chinesa pode ser o fator decisivo para uma mudança de postura do BCE.
No médio prazo, estrategistas avaliam que o comportamento do euro continuará sendo amplamente determinado pelo diferencial de juros entre a zona do euro e os Estados Unidos. A expectativa de uma sequência de cortes por parte do Federal Reserve ao longo do próximo ano tende a enfraquecer o dólar, abrindo espaço para uma valorização adicional da moeda europeia.
Para Andreas Koenig, da Amundi Asset Management, juros mais baixos nos EUA e um dólar mais fraco caminham juntos. Na sua leitura, o enfraquecimento do dólar tende a preceder uma aceleração da economia americana, reforçando esse movimento cambial.
Decisão de Juros do Banco da Inglaterra (BoE)O Banco da Inglaterra (BoE) deve reduzir a taxa básica de juros em 25 pontos-base nesta quinta-feira, levando-a para 3,75%. O movimento está 100% precificado pelo mercado, conforme indicam os contratos futuros.
O cenário favorável ao corte ganhou força após a divulgação da inflação ao consumidor nesta quarta-feira. O índice desacelerou para 3,2% em novembro — o menor nível desde março — ficando abaixo de todas as projeções do mercado e também das estimativas do próprio Banco da Inglaterra.
Além disso, os preços de serviços, métrica considerada crucial pelo BoE para avaliar pressões inflacionárias persistentes, recuaram para 4,4%, também abaixo do esperado. A inflação de alimentos e bebidas não alcoólicas caiu de 4,9% em outubro para 4,2%, contrariando a projeção do banco central, que apontava uma alta para 5,3% em dezembro, o que seria o maior nível em quase dois anos.
O núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis como alimentos, energia, bebidas alcoólicas e tabaco, também apresentou desaceleração, passando de 3,4% para 3,2%, reforçando a leitura de arrefecimento mais amplo das pressões de preços.
No entanto, o crescimento dos salários no setor privado segue pressionando os juros. Embora tenha desacelerado para 3,9% nos últimos três meses até outubro — o menor patamar desde dezembro de 2020 —, ainda permanece acima do nível considerado compatível com a meta de inflação, estimado pelo BoE em torno de 3,5% ao ano.
Para Rob Wood, da Pantheon Macroeconomics, o corte desta semana é praticamente inevitável. Segundo ele, a surpresa baixista da inflação tende a perder força nos próximos meses, já que parte da desaceleração esteve concentrada em itens voláteis ou foi influenciada por fatores temporários, como os descontos antecipados da Black Friday.
No campo fiscal, uma recente mudança tributária anunciada no Orçamento pela ministra das Finanças, Rachel Reeves, também contribui para um ambiente mais benigno. De acordo com a vice-governadora do BoE, Clare Lombardelli, a medida pode reduzir a inflação em até 0,5 ponto percentual a partir de abril de 2026, abrindo espaço para que o banco central atinja sua meta de 2% mais cedo, antes estimada para o segundo trimestre de 2027.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego segue em trajetória de alta, atingindo 5,1%, o maior nível desde janeiro de 2021, o que reforça os argumentos a favor de uma política monetária menos restritiva.
Vale lembrar que, na reunião anterior, o Comitê de Política Monetária votou por uma margem apertada de 5 a 4 pela manutenção dos juros, interrompendo o ritmo trimestral de cortes iniciado em 2024. Economistas consultados recentemente já indicavam um cenário semelhante para dezembro, novamente com uma divisão estreita.
Entre os membros que se opuseram ao corte na última reunião, o governador Andrew Bailey é visto como o mais propenso a mudar de posição. Na ata, ele afirmou que gostaria de observar novos sinais de alívio inflacionário ainda este ano antes de apoiar a flexibilização monetária — condição que agora parece atendida.
Para 2026, os mercados projetam mais três cortes de 25 pontos-base, o que levaria a taxa básica de juros do Reino Unido para cerca de 3% ao final do próximo ano.
Morning Call - 16/12/2025 - Especial de PayrollAgenda de Indicadores:
8:00 – BRA – Ata do Copom
10:15 – USA – Variação Semanal de Empregos Privados ADP
10:30 – USA – Relatório de Emprego Não-Agrícola Payroll
10:30 – USA – Ganho Salarial Médio por Hora
10:30 – USA – Taxa de Desemprego
11:45 – USA – PMIs da S&P Global (Prévia)
18:30 – USA – Estoques de Petróleo Bruto API
Brasil
Acompanhe o Pré-Market de NY: AMEX:EWZ NYSE:VALE NYSE:PBR NYSE:ITUB NYSE:BBD NYSE:BSBR
Ativos brasileiros negociados na ActivTrades ACTIVTRADES:BRA50 ACTIVTRADES:MINDOLF2026
Estados Unidos
Os futuros das ações de Nova York — ACTIVTRADES:USA500 , ACTIVTRADES:USATEC , ACTIVTRADES:USAIND e ACTIVTRADES:USARUS — prolongam o movimento de queda das últimas sessões, enquanto os traders aguardam a divulgação dos relatórios de emprego (Payroll) de outubro e novembro, que podem trazer maior clareza sobre a trajetória do mercado de trabalho nos EUA.
No mercado de crédito, os contratos negociados na CME indicam que 73% dos traders apostam na manutenção da taxa básica do Fed na reunião de 28 de janeiro, reforçando a percepção de uma pausa no ciclo de cortes no curto prazo.
Especial: Relatório de Empregos Não-Agrícola Payroll
O Bureau of Labor Statistics (BLS) divulga hoje o relatório de emprego referente a novembro, além de uma atualização parcial de outubro, que não trará a taxa de desemprego. A ausência desse dado ocorre devido ao shutdown de 43 dias que impediu a coleta completa das informações naquele mês.
A leitura dos números tende a ser complexa, como resume Brian Bethune, professor de economia do Boston College: “Estamos em um ambiente em que as empresas não querem contratar mais pessoas, mas também não há demissões em massa como em uma recessão. Quando grandes empresas enfrentam choques inesperados o plano de contingência mais simples é congelar contratações.”
Uma pesquisa da Reuters com economistas aponta para a criação de cerca de 50 mil vagas fora do setor agrícola em novembro. Para outubro, embora não haja consenso, a ampla maioria dos economistas espera uma queda no número de empregos, com o BNP Paribas projetando uma redução de até 100 mil vagas.
As demissões estimadas para outubro refletem, em grande parte, a saída de mais de 150 mil funcionários federais que aceitaram o adiamento de seus contratos como parte da iniciativa da administração Trump para reduzir o tamanho do governo. A maioria desses trabalhadores deixou a folha de pagamento no fim de setembro.
Em setembro, a economia havia criado 119 mil empregos, e alguns economistas estimam que o ritmo subjacente de geração de vagas em 2025 esteja próximo de 20 mil por mês, sinalizando uma desaceleração estrutural do mercado de trabalho.
Os ganhos de emprego em novembro devem se concentrar novamente nos setores de saúde e assistência social, além de lazer e hotelaria, mantendo o padrão recente. Em contrapartida, setores como serviços profissionais e empresariais, transporte, comércio atacadista, varejo e manufatura provavelmente registraram perdas líquidas de postos de trabalho.
Na semana passada, o Federal Reserve sinalizou que os custos de empréstimo dificilmente cairão no curto prazo, enquanto a autoridade monetária busca maior clareza sobre a trajetória do mercado de trabalho e da inflação. O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que o mercado de trabalho “parece apresentar riscos significativos de queda”, um cenário que, caso confirmado pelos dados de hoje, pode acelerar o debate sobre novos cortes de juros.
A fragilidade do emprego tende a ser reforçada por uma taxa de desemprego elevada, estimada em 4,4% em novembro, com risco de vir acima do esperado. A percepção das famílias sobre o mercado de trabalho também se deteriorou ao longo do mês. Já a taxa de desemprego de outubro, por conta do shutdown, nunca será conhecida.
Segundo Marc Giannoni, do Barclays: “Se o BLS tivesse divulgado os dados de outubro, esperaríamos uma taxa de desemprego entre 4,6% e 4,7%, considerando que funcionários federais afastados temporariamente estavam recebendo seguro-desemprego durante a paralisação.”
A desaceleração na criação de empregos tem contribuído para moderar o crescimento dos salários — um fator positivo para o combate à inflação —, mas representa um desafio para o consumo, principal motor da economia americana. A expectativa é de que os ganhos médios por hora tenham crescido 3,6% em 12 meses até novembro, abaixo dos 3,8% registrados em setembro.
Segundo analistas do Deutsche Bank: "A questão mais importante é se o relatório abre caminho para mais cortes nas taxas de juros no início do próximo ano. Até o momento, o Fed sinalizou apenas um corte nas taxas de juros para 2026 no gráfico de pontos, mas vimos repetidamente neste ciclo como um mercado de trabalho mais fraco os levou a adotar uma postura mais branda."
Europa
As ações europeias — ACTIVTRADES:EURO50 , ACTIVTRADES:GER40 , ACTIVTRADES:GERMID50 , ACTIVTRADES:FRA40 , ACTIVTRADES:UK100 , ACTIVTRADES:ESP35 , ACTIVTRADES:ITA40 e ACTIVTRADES:SWI20 — sem direção única nesta terça-feira, com os ganhos dos setores financeiro e de saúde sendo parcialmente compensados por quedas expressivas nos segmentos de defesa e tecnologia, enquanto os traders adotam uma postura cautelosa antes da divulgação de dados cruciais sobre o mercado de trabalho dos EUA.
A semana será marcada por uma agenda carregada, com a divulgação de indicadores econômicos atrasados nos Estados Unidos — incluindo o Payroll hoje — além de importantes decisões de política monetária na Europa e no Japão.
No continente europeu, a expectativa é de que o Banco da Inglaterra reduza a taxa de juros em 25 pontos-base, para 3,75%, enquanto o Banco Central Europeu deve manter as taxas inalteradas. O mesmo cenário de estabilidade é projetado para o Riksbank, da Suécia, e para o Norges Bank, da Noruega.
No campo corporativo, o setor de defesa lidera as perdas, após os Estados Unidos oferecerem à Ucrânia garantias de segurança semelhantes às da OTAN, enquanto negociadores europeus relataram avanços nas conversas para um possível acordo que encerre a guerra entre Rússia e Ucrânia, reduzindo o prêmio de risco geopolítico embutido nos ativos do setor.
Ásia/Pacífico
Ativos asiáticos negociados na ActivTrades: ACTIVTRADES:HKIND ACTIVTRADES:JP225 ACTIVTRADES:CHINAA50
Os mercados da Ásia-Pacífico recuaram nesta terça-feira, acompanhando a queda de Wall Street na sessão anterior, à medida que os traders continuam reduzindo exposição às ações de tecnologia.
Na Coreia do Sul, o Kospi TVC:KOSPI voltou a liderar as perdas na região, com queda de 2,2%, retornando para abaixo dos 4.000 pontos pela primeira vez em duas semanas. Entre os destaques negativos, a SK Hynix recuou 4,3%, enquanto a Samsung Electronics caiu 1,9%.
Em Taiwan, a TSMC perdeu 1%, pressionando o índice TWSE 50 FTSE:TW50 , que encerrou em baixa de 1,1%.
Na China, os principais índices — Shenzhen SZSE:399001 , Hang Seng HSI:HSI , China A50 FTSE:XIN9 e Shanghai SSE:000001 — registraram quedas de até 1,5%, seguindo a aversão ao risco regional.
No Japão, o Nikkei TVC:NI225 caiu 1,6%, fechando abaixo dos 50.000 pontos pela primeira vez desde 3 de dezembro. Das 225 empresas que compõem o índice, 188 encerraram em queda, 36 subiram e uma terminou estável.
Na Austrália, o ASX ASX:XJO recuou 0,4%, pressionado principalmente pelo desempenho fraco das mineradoras.
No campo macroeconômico, os PMIs da Austrália e do Japão indicaram desaceleração do setor de serviços, ao mesmo tempo em que mostraram aceleração da atividade industrial, um sinal misto para o crescimento regional no curto prazo.
Decisão de Juros do Federal Reserve (Fed)O Federal Reserve deverá reduzir a taxa básica em 25 pontos-base na reunião de 10 de dezembro, levando-a para 3,75%–4,00%. A expectativa é amplamente precificada, com os contratos futuros embutindo quase 85% de probabilidade, e está alinhada às projeções divulgadas pelo próprio Fed em setembro.
Mas, apesar do consenso do mercado, a autoridade monetária enfrenta uma divisão interna crescente, o que torna esta uma das reuniões mais sensíveis dos últimos anos.
Após o corte de outubro, Jerome Powell adotou tom cauteloso, alertando para o risco de reaceleração inflacionária e dizendo que a decisão de dezembro estava longe de ser “inevitável”. A inflação segue acima da meta de 2% desde março de 2021.
A ata da última reunião expôs um FOMC dividido. Alguns membros defendiam manter os juros inalterados, enquanto outros se opuseram abertamente ao corte.
Nas últimas semanas, John Williams, presidente do Fed de Nova York, somou-se ao grupo pró-corte — ao lado de Michelle Bowman, Christopher Waller e Stephen Miran — afirmando que reduzir juros agora não comprometeria o processo desinflacionário e daria proteção adicional caso o mercado de trabalho enfraqueça.
Mesmo assim, cinco dos 12 votantes já se manifestaram publicamente contra um novo corte, enquanto sete devem votar a favor, configurando uma decisão apertada e potencialmente histórica.
Os argumentos hawkish se apoiam em três pilares:
1. Inflação ainda resiliente, acima da meta há quase cinco anos;
2. Riscos fiscais decorrentes dos amplos cortes de impostos e do plano de gastos da administração Trump;
3. Incertezas tarifárias e receios sobre a independência do Fed.
As projeções de setembro indicam que o núcleo do PCE deve permanecer acima de 2% até 2028, enquanto o crescimento deve se estabilizar em torno de 1,8%–1,9% em 2026–27 e o desemprego diminuir de 4,5% de 2025 para 4,2% até 2028. Esse quadro reforça a posição dos membros que defendem manter juros restritivos por mais tempo.
Powell deixa o cargo em maio de 2026, e Donald Trump deve anunciar seu substituto no início do próximo ano. Trump pressiona por juros mais baixos, especialmente para estimular o setor imobiliário, diante da crescente preocupação com a acessibilidade da habitação, tema central para as eleições legislativas de 2026.
Mas o risco é claro: cortes excessivos podem reacelerar a inflação, distorcer expectativas e obrigar o Fed a reverter o movimento no futuro, cenário que os atuais formuladores de política tentam evitar.
O novo presidente do Fed poderá enfrentar a mesma tensão que Powell enfrenta hoje:
pressão política por cortes versus uma economia que talvez precise de contenção.
Os 43 dias de shutdown deixaram lacunas importantes nos dados, contribuindo para as divergências dentro do FOMC. Somente as leituras posteriores à reunião, sobre emprego, salários e inflação, ajudarão a determinar se a economia caminha para um afrouxamento sustentável ou se há risco de pressões inflacionárias persistentes.
Parte do mercado acredita que, após o corte de dezembro, a taxa estará mais próxima da neutralidade, ponto que não estimula nem restringe a economia. Mas estimar essa taxa neutra é difícil devido a efeitos das tarifas, restrições à imigração, mudanças estruturais no mercado de trabalho e o boom de produtividade ligado à IA.
Além disso, alguns indicados por Trump ao Conselho do Fed defendem cortes mais profundos, com Stephen Miran argumentando que a taxa deveria cair para níveis considerados fortemente estimulativos pelos demais membros.
Kevin Hassett, apontado como possível sucessor de Powell, sugere que um salto de produtividade via IA permitiria juros estruturalmente mais baixos sem reacender a inflação, visão ainda controversa dentro do Fed.
Se o Fed cortar a taxa de juros muito rápido, a ponta longa da curva de juros poderá subir, tornando as hipotecas mais caras como setor imobiliário podendo ser sufocado, justamente o oposto do objetivo político.
Por isso, mesmo um Fed mais alinhado à Casa Branca terá de equilibrar cuidadosamente suas decisões para evitar uma disparada na parte longa da curva.
Todas essas discussões estarão em jogo na reunião desta quarta-feira!
Decisão de Juros do Banco do Canadá (BoC)O Banco do Canadá deve manter a taxa básica em 2,25% na reunião desta quarta-feira, após promover 275 pontos-base em cortes desde maio de 2024. Na decisão mais recente, a autoridade monetária já havia sinalizado uma pausa no ciclo de flexibilização, sustentada por uma inflação que permanece dentro da meta de 1% a 3% e por indicadores de atividade que mostram maior resistência da economia.
A combinação de crescimento econômico robusto e queda na taxa de desemprego reforça o argumento para manter a taxa estável. Segundo Douglas Porter, da BMO Capital Markets, “com o Banco do Canadá praticamente sinalizando que encerrou os cortes, é natural que o foco se volte para quando ele poderá seguir na direção oposta.”
Uma pesquisa da Reuters indica que 18 dos 29 economistas esperam que a taxa permaneça inalterada pelo menos até 2027.
Essa perspectiva de estabilidade depende, em parte, da resiliência da economia canadense diante das tarifas impostas pelos EUA. O PIB avançou 2,6% no último trimestre, acima das expectativas, impulsionado especialmente pelos gastos do governo.
No mercado imobiliário, as vendas de residências mostram sinais de recuperação, embora os preços ainda recuem cerca de 3,2% no acumulado do ano. As projeções apontam para uma retomada gradual: alta de 1,8% em 2026 e 3,5% em 2027.
No campo fiscal, o governo tem atuado para estimular a demanda. O primeiro-ministro Mark Carney propôs uma injeção de C$ 280 bilhões (US$ 200 bilhões) na economia ao longo dos próximos cinco anos, incluindo C$ 25 bilhões (US$ 14,4 bilhões) voltados especificamente ao setor habitacional.
Morning Call - 06/11/2025 - Copom Hawkish e Juros do BoEAgenda de Indicadores:
9:00 – UK – Decisão de Taxa de Juros
9:00 – UE – Confiança do Consumidor
14:00 – USA – PIB do Fed de Atlanta
15:00 – BRA – Balança Comercial
Agenda de Autoridades:
10:00 – BRA – Teleconferência de apresentação dos dados do Itaú
13:00 – USA – John Williams, do Fed de Nova York (Vota), profere palestra sobre "A Taxa Natural de Juros" em evento organizado pelo Instituto de Estabilidade Monetária e Financeira (IMFS) da Universidade Goethe.
13:00 – USA – Michael Barr, Governador do Fed (Vota), participa de discussão virtual sobre "Desenvolvimento Comunitário" promovida pela Fed Communities.
15:00 – USA – Beth Hammack, do Fed de Cleveland (Não Vota), discursa no Clube Econômico de Nova York.
Brasil
Acompanhe o Pré-Market de NY: AMEX:EWZ NYSE:VALE NYSE:PBR NYSE:ITUB NYSE:BBD NYSE:BSBR
Ativos brasileiros negociados na ActivTrades ACTIVTRADES:BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLX2025
Balanços: Esta semana será intensa em divulgações corporativas, com 43 resultados previstos. Entre os destaques:
Quinta-feira: BMFBOVESPA:PETR4 BMFBOVESPA:SUZB3 BMFBOVESPA:CXSE3 BMFBOVESPA:ENGI11 BMFBOVESPA:LREN3 BMFBOVESPA:SMFT3 BMFBOVESPA:ASAI3 BMFBOVESPA:FLRY3 BMFBOVESPA:COGN3 BMFBOVESPA:MGLU3 BMFBOVESPA:RECV3
Especial: Decisão de Juros do Brasil
O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 15%, conforme amplamente esperado. No entanto, o tom do comunicado decepciona o mercado, que esperava sinais mais claros de suavização na condução da política monetária.
Em vez disso, o Copom reafirmou a necessidade de manter os juros em um patamar “significativamente contracionista por um período bastante prolongado” — expressão reforçada duas vezes ao longo do texto. Além disso, o Comitê preservou o trecho final do comunicado anterior, na qual “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.
O texto foi repleto de contrapontos, onde: a atividade econômica mostra moderação, mas o mercado de trabalho segue aquecido; A inflação cheia e as medidas subjacentes demonstram arrefecimento, mas ainda permanecem acima da meta; As expectativas de inflação continuam desancoradas e as projeções internas do BC seguem elevadas.
Em resumo, o Banco Central avalia que:
1.As expectativas permanecem desancoradas;
2. As projeções de inflação seguem acima da meta;
3. A atividade doméstica continua resiliente; e
4. O mercado de trabalho ainda mostra pressões de demanda.
A única concessão de tom ligeiramente dovish veio da revisão marginal da projeção de inflação para 2027, que passou de 3,4% para 3,3%, agora oficialmente adotado como horizonte relevante de política monetária. Mesmo assim, o número segue acima do centro da meta de 3%, que o presidente Gabriel Galípolo reiterou como referência principal da autoridade monetária.
No balanço geral, o comunicado é considerado hawkish, reforçando a interpretação de que o início do ciclo de cortes de juros deve ocorrer apenas em março, e não mais em janeiro, como precificavam as apostas mais otimistas.
Estados Unidos
Novo Horário: A Bolsa de Nova York passa a operar das 11h30 às 18h de Brasília.
Os futuros das ações de Nova York — ACTIVTRADES:USA500 , ACTIVTRADES:USATEC , ACTIVTRADES:USAIND e ACTIVTRADES:USARUS — operam sem direção definida, com o setor de tecnologia registrando ganhos moderados, enquanto as small caps apresentam realização de lucros. O índice de volatilidade VIX $ACTIVTRADES:USAVIXV2025 recua 0,5%, voltando à faixa dos 18 pontos, refletindo um cenário de menor aversão ao risco.
Federal Reserve: Os dados econômicos positivos divulgados na quarta-feira levaram os traders a reduzir as apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve. A probabilidade de uma redução em dezembro caiu para cerca de 61%, ante 70% no início da semana.
Câmbio: O índice dólar (DXY) segue próximo dos 100 pontos, sustentado pelos rendimentos elevados dos Treasuries, que continuam a dar suporte à moeda norte-americana frente a seus principais pares.
Fiscal: O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que pretende manter estáveis os volumes dos leilões de títulos com cupom nominal e taxa flutuante pelos próximos trimestres, mas reconheceu que pode considerar aumentos futuros, caso o financiamento da dívida exija maior captação.
Shutdown: A paralisação do governo norte-americano chega hoje ao 37º dia, tornando-se a mais longa da história, ainda sem perspectivas de acordo político entre democratas e republicanos para reabertura total das agências federais.
Europa
Os principais índices europeus — ACTIVTRADES:EURO50 , ACTIVTRADES:GER40 , ACTIVTRADES:GERMID50 , ACTIVTRADES:FRA40 , ACTIVTRADES:ESP35 , ACTIVTRADES:UK100 e ACTIVTRADES:ITA40 — operam majoritariamente em queda, pressionados por resultados corporativos abaixo das expectativas e pela realização de lucros em setores cíclicos.
Legrand: As ações da Legrand despencam cerca de 10%, após a fabricante de equipamentos para centros de dados reportar crescimento de vendas ligeiramente abaixo do esperado e citar impactos negativos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. O movimento arrastou outras empresas do setor elétrico, como Schneider Electric e Siemens Energy, que recuam cerca de 2% cada.
Commerzbank: O Commerzbank também pressiona o mercado, com queda de aproximadamente 2,8% em suas ações, depois de divulgar lucro líquido menor que o esperado no terceiro trimestre. O resultado foi impactado por maiores custos operacionais e aumento nas despesas tributárias, o que ofuscou a melhora nas margens financeiras.
Especial: Decisão de Juros do Banco da Inglaterra (BoE)
O Banco da Inglaterra (BoE) deve manter a taxa básica de juros em 4% na reunião desta quinta-feira, em um movimento de cautela antes da divulgação do orçamento do governo ainda neste mês. Entretanto, parte do mercado começa a considerar a possibilidade de um corte moderado, à medida que a inflação desacelera mais rapidamente do que o esperado.
O que até recentemente parecia uma decisão com maioria confortável pela manutenção tornou-se mais incerta. Os traders atribuem agora quase uma chance em três de um corte para 3,75%, uma probabilidade que há um mês era de apenas uma em dez.
A inflação do Reino Unido, em 3,8%, continua sendo a mais alta entre as principais economias do G7, e a taxa básica do BoE segue o dobro da praticada pelo Banco Central Europeu. Apesar disso, o nível de preços se manteve estável em setembro, enquanto os dados recentes do mercado de trabalho foram vistos pelo governador Andrew Bailey como um sinal de que as pressões inflacionárias estão diminuindo.
Outro fator que reforça a postura de cautela é a expectativa de que a ministra das Finanças, Rachel Reeves, anuncie aumentos expressivos de impostos em 26 de novembro, medida que pode conter a demanda e pesar sobre o crescimento econômico.
Em agosto, o BoE havia projetado que a inflação só retornaria à meta de 2% no segundo trimestre de 2027, com crescimento econômico modesto de 1,25% tanto para este quanto para o próximo ano.
Na votação do Comitê de Política Monetária (MPC), é esperado um placar de 6 a 3 pela manutenção dos juros, com minoria defendendo corte. Quando o comitê se reunir novamente, em dezembro, já terá em mãos dados de inflação e emprego de outubro e novembro, além de maior clareza sobre o impacto fiscal do novo orçamento.
Para essa próxima reunião, o mercado precifica probabilidade de 60% de uma redução na taxa básica.
O anúncio desta quinta-feira trará ainda uma novidade importante: o BoE publicará resumos individuais das opiniões dos membros do MPC, oferecendo maior transparência sobre o grau de dissenso interno. O banco também deve atribuir menos peso à projeção central de inflação, abrindo espaço para cenários alternativos de política monetária diante das incertezas fiscais.
Ásia/Pacífico
Os mercados asiáticos encerraram esta quinta-feira em forte alta, revertendo parte das quedas acentuadas da sessão anterior, após dados econômicos positivos dos Estados Unidos reforçarem o apetite por risco e atraírem os traders de volta às compras.
O destaque ficou com o Hang Seng HSI:HSI , que saltou mais de 2%, impulsionado pelo otimismo em torno da autossuficiência tecnológica da China, o que favoreceu ações de empresas de semicondutores e inteligência artificial. Outros índices chineses também registraram ganhos acima de 1%, incluindo o Shanghai SSE:000001 , Shenzhen SZSE:399001 e China A50 $FTSE:XIN9.
No Japão, o Nikkei TVC:NI225 avançou 1,3%, após a queda de 2,5% na quarta-feira, enquanto o Kospi TVC:KOSPI , da Coreia do Sul, chegou a subir mais de 2% na abertura, mas encerrou com alta de 0,5%, recuperando parcialmente a perda de 2,8% da véspera.
Na Austrália, o ASX ASX:XJO fechou levemente positivo, com destaque para o setor de mineração, beneficiado pela recuperação dos preços do minério de ferro e do cobre nos mercados internacionais.






















